A especialista em vacinação responsável por liderar a equipa que está a desenvolver a vacina da Universidade Oxford garante que não existem razões para preocupação e que, apesar da rapidez com que foi desenvolvido, o tratamento contra a Covid-19 é seguro. Em entrevista ao The Telegraph, Sarah Gilbert sustenta que não são conhecidos efeitos a longo prazo.

“Qualquer efeito secundário acontece num curto período de tempo ou quando uma pessoa que foi vacinada contra uma doença em particular encontra essa doença e tem sintomas mais graves”, explicou a especialista, acrescentando que havia o perigo de “estas vacinas provocaram uma doença aumentada”. Para tentar perceber se isso aconteceria, foram feitos vários estudos em animais. “Agora, os testes mostraram que as pessoas vacinadas não ficam piores quando apanham o vírus.”

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Entre os voluntários que participaram nos testes da vacina, não existem casos sérios de Covid-19 ou hospitalizações, adiantou ainda Sarah Gilbert.

Admitindo que o tratamento contra a Covid-19 ainda se encontra “numa fase inicial”, a especialista admitiu a possibilidade de só vir a ser preciso meia dose para garantir a proteção contra a doença. “Podemos acabar por só dar duas doses pequenas”, disse, explicando que, durante os testes, sempre se procurou evitar dar uma dose demasiado forte aos participantes.

“Queríamos uma forte resposta imunitária, mas pode acontecer que estejamos a dar uma dose mais elevada do aquilo que é necessário e que tenhamos de continuar a trabalhar nisso”, disse, admitindo que uma das desvantagens de trabalhar tão depressa é que não houve tempo para testar diferentes dosagens.

Vacina da AstraZeneca/Oxford tem eficácia média de 70%

Esta semana, ficou a saber-se que a vacina que está a ser desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca tem uma eficácia de cerca de 70%. O valor foi apurado num estudo que envolveu cerca de 20 mil participantes, metade no Reino Unido e metade no Brasil. Apesar de a eficácia ser superior à do tratamento desenvolvido Pfizer e pela Moderna (cerca de 90%), a vacina de Oxford é mais barata e mais fácil de armazenar, exigindo uma logística menos complicada na distribuição.