Há uns anos, quando se olhava para a integração de jovens formados no clube na equipa principal, havia sempre uma ideia entre várias pessoas ligadas à Academia verde e branca: à exceção de Nani, que chegou um pouco mais velho já com idade de juvenil aos leões, só conseguiam singrar jogadores com pelo menos quatro anos de passagem pelos escalões mais novos e qualquer contratação de elementos dos 16 para cima era mais para ganhar títulos do que propriamente para trabalhar para um futuro a médio prazo. Hoje, a realidade mudou. E há mais exemplos de como é possível chegar ao patamar mais alto não cumprindo todo esse período em Alcochete, com Palhinha a ser o melhor exemplo disso mesmo e Pedro Marques a ganhar em poucos minutos a ambição de ser o próximo.

Um dia Santo(s) com a aula de João e a lição do senhor Hermínio (a crónica do Sacavenense-Sporting)

Num jogo especial para o médio que na última temporada esteve emprestado ao Sp. Braga, e que trocou a equipa de Sacavém pelo Sporting a meio da época de 2012/13 já como júnior, o avançado substituiu Sporar com pouco mais de 15 minutos por jogar e foi a tempo de bisar no encontro, naquele que foi o primeiro jogo a marcar pela equipa A num ano em que leva quatro golos noutros tantos jogos pela equipa B. Contratado ao Belenenses em 2016 como júnior (numa movimentação que gerou muita tensão entre Belenenses clube e SAD, por se tratar de um dos melhores talentos formados pelos azuis mas que não foi “aproveitado” pelo conjunto principal), Pedro Marques foi o grande destaque da equipa na época seguinte, passou depois para os B e os Sub-23 e passou a temporada de 2019/20 entre empréstimos aos holandeses do FC Dordrecht e do Den Bosch.

Mas o avançado não foi o único destaque da formação leonina, tenha sido ela mais ou menos longa dos infantis à equipa Sub-23: Rúben Amorim apostou em oito jogadores que passaram pela Academia no seu trajeto até ao conjunto principal e dois deles, Jovane Cabral e Gonçalo Inácio, também marcaram, com destaque para o central que fez esta noite frente ao Sacavenense o primeiro encontro como titular dos leões. A eles e a Pedro Marques juntaram-se ainda Luís Maximiano, Matheus Nunes, João Mário, Daniel Bragança e João Palhinha.

Foi com essa base que o Sporting, que no ano passado tinha sido eliminado logo na terceira eliminatória da Taça de Portugal frente ao Alverca, somou o terceiro jogo a marcar quatro ou mais golos, atingindo os sete pela primeira vez na competição desde 2013/14 (8-1 ao Alba). Para uma goleada tão volumosa, ainda assim, basta recuar até ao final da época de 2018/19, quando os leões de Keizer golearam o Belenenses SAD no Jamor por 8-1. Depois da entrada a todo o gás na Liga, uma entrada ainda mais fulgurante na prova rainha do calendário.

“Rotação na equipa? Essa expectativa não foi da nossa parte, foi algo resultante da opinião pública. A nossa expectativa era preparar este jogo de forma séria, tirar o máximo de partido daquilo que foi a nossa preparação das últimas semanas para preparar melhor a equipa para este jogo e acabaram por jogar aqueles que estiveram melhor nos treinos. Isso é o nosso foco. Essa rotação acaba por não ser feita com o propósito de gerir equipa, não há gestão de equipa, é aquilo que é a estratégia para o jogo”, começou por explicar no final do encontro Emanuel Ferro, treinador adjunto na equipa técnica de Rúben Amorim (que já ganhara no Jamor por 7-1 com o Sp. Braga).

“Hoje alguns jogadores tiveram oportunidade de ter minutos mas essa demonstração de oportunidade e de capacidade tem sido feita ao longo desta época. Os resultados e aquilo que tem sido a prestação da equipa não é só resultado de quem joga, é um trabalho coletivo, um trabalho do plantel e de toda a estrutura. Há alguns que têm mais oportunidade de jogar, outros que jogam menos. No entanto, sabemos com quem contamos, sabemos que podemos contar com todos. Só assim é que nos momentos importantes, que são os jogos, nos sentimos preparados com aqueles que vão entrar, suportados pelo trabalho que é feito por um todo”, acrescentou.