O presidente da Associação de Comércio, Serviços e Turismo da Região de Leiria (ACILIS) anteviu esta quarta-feira compras simbólicas e menor volume de negócios no Natal, e apelou às pessoas para que façam as compras antecipadamente no comércio local, que é seguro.

“As pessoas vão sempre comprar, mas serão compras mais simples, para marcar a data. Penso que este será um Natal de compras simbólicas e não de grandes compras”, disse à agência Lusa Lino Ferreira, considerando que, devido à pandemia de Covid-19 e às incertezas que esta coloca, os clientes “estão a ser mais cautelosos e a retraírem-se nas compras”.

Notando que na época de Natal “as pessoas iam sempre um bocadinho mais além nas compras”, Lino Ferreira reconheceu que “estão mais contidas e não tão eufóricas”.

“Há uma insegurança face ao evoluir da pandemia e quem trabalha encurta as suas despesas porque não sabe se amanhã vai ter emprego e dinheiro”, declarou, admitindo, por outro lado, o receio de ir para a rua, seja em compras ou para outras atividades.

O presidente da ACILIS, associação que tem cerca de 1.200 associados distribuídos pelos concelhos de Leiria, Batalha e Porto de Mós, destacou que “a segurança no comércio de rua está garantida”.

“Fazer compras no comércio local é seguro e apelamos às pessoas para que o façam antecipadamente”, reiterou, insistindo na necessidade de os clientes não fazerem compras de última hora, para evitar grandes aglomerações.

Realçando o trabalho desenvolvido pela Câmara de Leiria no apoio e na dinamização do comércio local, incluindo agora na programação de Natal em conjunto com a ACILIS, Lino Ferreira sublinhou que “os empresários estão a fazer um esforço muto grande em manter a porta aberta”.

“Aquilo que tenho falado com comerciantes é que se se mantiverem alguns dos apoios e outros que venham a existir, há possibilidade de não haver uma crise tão acentuada”, declarou, alertando que “o comércio é o setor que mais emprega a nível nacional”.

Na semana passada, em declarações à Lusa, o presidente da ACILIS defendeu a redução em 50% a carga de impostos e taxas para ajudar o setor a sobreviver à pandemia, considerando “crítica e dolorosa” a atual situação do comércio e restauração.

“Estamos numa fase muito complicada. Os nossos governantes têm de olhar para isto de uma forma diferente da que têm olhado até agora. Em termos nacionais, o Governo devia fazer uma quebra de 50% em todos os impostos, água, eletricidade, comunicações, rendas, IRC, IRS, Segurança Social… Isso vinha ajudar a maioria dos comerciantes e salvava alguns. Quando a situação retomasse a normalidade, repunha-se progressivamente”, disse.

Esta quarta-feira, admitiu que “haverá sempre um ou outro [estabelecimento] que vai fechar” e, apesar de se afirmar otimista, assumiu “muita preocupação com a situação de todas as áreas” económicas.

Na segunda-feira, o Município de Leiria anunciou o programa “Leiria Protege Economia”, para promover a recuperação económica na sequência da pandemia.

O programa, que inclui quatro eixos de intervenção – apoio às empresas, viver o Natal, apoio à restauração, e isenções e reduções -, integra 10 ações, como o Fundo de Emergência de Apoio Comercial e Empresarial, cujo regulamento irá atribuir apoios extraordinários à recuperação da atividade.

O “Leiria Christmas Market”, a isenção do pagamento nas zonas de estacionamento municipal de duração limitada a partir das 17:00 nos dias úteis e ao sábado, até 10 de janeiro, são algumas das medidas direcionadas para o comércio.

A campanha “Leiria no Prato” irá dar a conhecer os restaurantes, pastelarias e cafés de Leiria “seguros” para que as pessoas possam continuam a frequentá-los, de forma presencial ou em ‘take away’.

Este setor beneficiará ainda de isenção das taxas de esplanada até ao final de 2021, alguns destes equipamentos foram criados excecionalmente durante a pandemia para fazer face à diminuição da lotação no interior.