A maioria das empresas do setor dos seguros (67%) pretende manter o número de trabalhadores no próximo ano e 11% quer aumentar, abaixo dos números anteriormente previstos para o corrente ano, segundo um estudo da Mercer hoje divulgado.

“Segundo os dados apurados, 67% das seguradoras pretende manter o número de colaboradores no próximo ano, face aos 56% apurados para 2020″, indicou, em comunicado, a consultora.

O estudo “Total Compensation- Setor segurador 2020” revelou que a intenção de reduzir o número de trabalhadores mantém-se ao mesmo nível do que estava perspetivado para o corrente ano (22%), enquanto o intuito de aumentar o número de colaboradores passou de 22% (2020) para 11% (2021).

Por sua vez, os fatores que condicionam o setor no que se refere aos aumentos salariais são os resultados individuais do colaborador (89%), a grelha salarial (78%) e os resultados da empresa (67%).

A antiguidade e o nível funcional são as características “menos influentes” para os aumentos.

Conforme apontou a Mercer, a maioria das empresas assegurou rever os salários uma vez por ano, sendo que metade realiza no mês de abril e 20% em janeiro e outras 20% em julho.

“Em 2020, fruto da inesperada situação de pandemia e dos seus impactos na economia, o número de empresas que manifestou a intenção de congelar os incrementos salariais não contratualizados de forma a não promover o aumento da massa salarial na sua estrutura de custos aumentou significativamente”, afirmou, citada no mesmo documento, a surveys leader da Mercer, Marta Dias Gonçalves.

A variação salarial, por seu turno, foi “ligeiramente positiva” face a 2019, registando-se, no entanto, um aumento “mais relevante” para os quadros superiores, chefias intermédias e direção geral, assim como uma “variação negativa” para grupos de diretores de primeira linha, comerciais e administrativos/operacionais.

Já no que concerne à remuneração variável, todas as empresas inquiridas atribuem renumeração variável em forma de bónus anual aos seus colaboradores.

Os incentivos de vendas/comissões são atribuídos em cerca de 56% das empresas, “tipicamente com uma periodicidade trimestral ou mesmo mensal”.

Perto de 70% (67%) das empresas seguradoras afirmam atribuir a alguns trabalhadores incentivos de longo prazo.

De acordo com o estudo, a totalidade das empresas concede aos trabalhadores um complemento de subsídio de doença, sendo que 88% referiram que o montante em causa representa uma percentagem do salário base líquido.

Aproximadamente 86% das organizações assegura o pagamento dos três primeiros dias de baixa, que não são comparticipados pela Segurança Social.

Entre os benefícios concedidos aos trabalhadores está também o plano médico, que inclui coberturas de hospitalização, medicamentos, assistência ambulatória, próteses e ortóteses, estomatologia, oftalmologia, parto normal e cesariana, sendo que 66% das inquiridas precisaram que este abrange não só o colaborador, como o cônjuge e filhos.

Seis em cada dez empresas atribui seguros de acidentes pessoais como um benefício para os trabalhadores e todas as empresas analisadas concedem seguro de vida.

Todas as empresas inquiridas no estudo revelam conceder planos de pensões a todos os seus colaboradores, sendo que 56% referem ser planos de contribuição definida, 22% de benefício definitivo e 22% admite ser um plano misto”.

No que respeita à educação, verifica-se a comparticipação da formação dos trabalhadores em 22% das empresas, enquanto a maioria disponibiliza apoios para a educação dos descendentes.

Mais de 70% das empresas disponibilizam ainda um subsídio escolar aos filhos dos colaboradores e 43% um subsídio de creche.

Quatro em cada dez empresas assegura, por seu turno, concessão de empréstimos ou adiantamentos aos trabalhadores, sobretudo, para “situações de emergência, despesas de hospitalização, aquisição de viatura e habitação”.

Por último, a política automóvel é um benefício atribuído por 90% das inquiridas, sendo elegíveis para este apoio os colaboradores da direção-geral/administração ou direção de primeira linha, bem como chefias intermédias e comerciais.

Entre as empresas que atribuem este benefício, 80% recorrem a contratos de aluguer.

Para a realização deste estudo foram consideradas 10 empresas do mercado português, tendo sido analisados 6.257 postos de trabalho.