Não é uma visão nova, também não é propriamente uma tática antiga, aparece de quando em vez e em momentos cirúrgicos. Alguns jornais ingleses catalogaram a última pausa para seleções como uma das mais profícuas para o Manchester City, que conseguiu não só avançar na recuperação de alguns dos habituais titulares que têm estado afastados por lesão mas também assinar a renovação de contrato com Pep Guardiola até 2023. No entanto, logo no jogo seguinte, nova derrota na Premier frente ao Tottenham de José Mourinho, 13.º lugar com apenas três vitórias em oito jogos. “Com todo o respeito pelos outros, sinto que iremos estar muito bem esta época na Champions. Não sei porquê mas sinto isso desde o início, quando perdemos com o Lyon”, destacou agora o técnico.

Uma vitória na Grécia frente ao Olympiacos de Pedro Martins deixaria a questão do apuramento para os oitavos da Liga milionária decidida mas nem por isso resolveria a atual fase de instabilidade que a equipa atravessa, incapaz de somar triunfos consecutivos em termos nacionais. Rúben Dias e o recuperado Laporte deram mais consistência ao eixo central mas, em termos globais, a equipa ainda tem dificuldades nos processos defensivos que depois vão condicionar o resto dos resultados, como aconteceu este fim de semana em Londres. Pior: De Bruyne e Sterling, duas das unidades fundamentais, ainda não conseguiram fazer a diferença como em anos anteriores. Por isso, tanto ou mais do que a qualificação, a equipa de Guardiola jogava o início de uma redenção na temporada.

No entanto, o encontro em Inglaterra, que terminou com 3-0 para os citizens, mostrou que o Olympiacos iria ser tudo menos um bom anfitrião. Aliás, durante a segunda parte e até aos últimos dez minutos em que foi quebrada a vantagem mínima, os gregos tiveram algumas aproximações que poderiam ter criado outro tipo de perigo para a baliza de Ederson. Era nesse período que Pedro Martins voltava a apostar, ciente que pontuar com o Manchester City era um passo importante para tornar ainda mais decisiva a receção ao FC Porto na luta também por uma vaga nos oitavos. E, admitindo os méritos dos britânicos, o técnico português recusava dar o jogo como perdido. 

“Tivemos uma grande segunda parte lá, com uma fantástica reação depois de uma primeira parte onde jogámos mal. Sabemos que será um encontro difícil porque o City tem uma equipa fantástica e é forte em todos os aspetos do jogo mas contra o Wolverhampton, o Arsenal e o Tottenham fizemos bons jogos. Se compararmos com todos os jogos do City até ao momento, ninguém fez o que fizemos com bola, com 46% de posse. Não vejo muitas equipas a fazerem isto. O Manchester City é muito forte na primeira reação à perda de bola mas vejo por exemplo o Bayern a pressionar os adversários durante todo o jogo, são mais intensos nisso”, analisou Pedro Martins numa entrevista ao Goal, antes de recordar também o trabalho com Ederson no Rio Ave, em Vila do Conde.

“É um guarda-redes com uma grande qualidade mas também muito importante para o jogo de Guardiola. Alguns treinadores não consideram algo importante ou não querem mas para o Pep é muito importante ter um guarda-redes que jogue bem com os pés e ponha a bola onde quiser. É dinâmico no plano ofensivo, particularmente quando começa na primeira fase. Contrataram o Ederson porque tem o perfil certo para um guarda-redes de uma equipa de Guardiola”, frisou. No entanto, essas qualidades do brasileiro só foram vistas por raras ocasiões, tão fraco que foi o pecúlio ofensivo dos gregos. E o Manchester City acabou por ganhar e garantir passagem à próxima fase da Champions num dia que devia ser de festa mas que se revelou demasiado triste para Kun Agüero.

Pouco antes da chegada do autocarro do City ao estádio, o Clarín deu a notícia que ninguém queria ter de ler: Diego Armando Maradona morrera na sua casa, em Tigre. Afastado da competição por questões físicas desde final de outubro, o avançado, antigo genro de El Pibe, deveria cumprir alguns minutos, como acabou por acontecer (13 mais os descontos), mas talvez no contexto mais complicado que enfrentou na carreira de profissional e no dia em que mais queria estar com o filho Benjamín, de 11 anos, que no seu caso perdeu mais do que um génio – perdeu o avô. E se num dia em que até a bola chorou pela morte de Diós, como referiu o antigo companheiro de seleção argentina, não houve muita história, também o jogo não foi diferente: o Olympiacos só fez dois remates à baliza e a dois minutos do final, o City marcou por Phil Foden após assistência de calcanhar de Sterling (36′) e ficou a dever a si próprio um resultado bem mais volumoso com vários golos desperdiçados, dois pelo português Bernardo Silva.