A editora Idalina Sá da Costa, que foi responsável pela publicação de obras de investigadores e ensaístas como Orlando Ribeiro e António Sérgio, morreu na terça-feira, em Lisboa, aos 83 anos, disse à Lusa fonte próxima da família.

Nascida em 25 de setembro de 1937, Idalina Augusta Ribeiro Fonseca Sá da Costa era licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, à semelhança do marido, o editor João Sá da Costa (1924-2002), que foi um dos mais importantes do mercado livreiro em Portugal, com quem partilhou a responsabilidade das Edições Augusto Sá da Costa, desde o início da década de 1960.

Nestas edições, lançou a coleção de Ciências Humanas, promoveu uma série exclusivamente dedicada a autores africanos, pioneira no panorama editorial português, com uma componente de literatura infantojuvenil, e manteve a coleção dos Clássicos, onde foi possível encontrar autores como Padre António Vieira, Diogo do Couto, Gil Vicente, João de Barros, Luís António Verney, Luís de Camões, Sá de Miranda, sem esquecer Descartes ou la Bruyère e os clássicos gregos e latinos.

Co-organizou, com Augusto Abelaira, a edição crítica dos Ensaios de António Sérgio, em colaboração com Castelo Branco Chaves, Vitorino Magalhães Godinho, Rui Grácio e Joel Serrão.

Orlando Ribeiro (“Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico” e “Ensaios de geografia humana e regional”), Eduardo Lourenço (“Poesia e metafísica”), Paulo Freire (“Educação Política”), Maria Leonor Carvalho Buescu, Miriam Halpen Pereira, Ivan Illich, Paul Teyssier e Georges Lefebvre foram autores publicados pela Sá da Costa, no área das Ciências Humanas.

Agostinho Neto, Castro Soromenho, Fernando Costa Andrade, Luandino Vieira, Ruy Duarte de Carvalho foram alguns dos autores da lusofonia publicados pela editora, que também abriu a coleção Terceiro Mundo, relacionada com a emancipação de povos de África, Ásia e América Latina, nos anos de 1960/1970.

Idalina Sá da Costa foi ainda um dos nomes associados à publicação em Portugal da enciclopédia “Focus”, de origem sueca, de novo em colaboração com Vitorino Magalhães Godinho, Manuel Rocha e Joel Serrão, e com autores como Alberto da Costa e Silva, Celso Cunha, Eugénio Cardigos e Fernando Branco.

Com o marido fundou, em 1984, as Edições João Sá da Costa, mantendo as linhas editoriais anteriores, publicando obras de Orlando Ribeiro, Lindley Sintra, António Gedeão e Manuel Alegre, entre outros autores portugueses.

Foi igualmente pioneira na publicação de álbuns e catálogos, como os “Cancioneiros Medievais”, numa reedição de Rodrigues Lapa.

Na área da literatura infantojuvenil, trouxe para Portugal os títulos premiados de Lela e Enzo Mari, como “A maçã e a lagarta”, “A árvore”, “O ovo e a galinha” e “O balãozinho vermelho”, que, nos primeiros anos de 1970, davam novas perspetivas à palavra e à ilustração.

Publicou e traduziu obras como “O pintor e o pássaro”, de Max Velthuijs, e “Ivan e o ganso”, de Mischa Damjan e Toma Bogdanovic, que marcaram a modernidade da literatura para crianças, e revelou livros infantis de António Sérgio, como “Os conselheiros do Califa” e “Na terra e no mar”.

A edição para o público mais novo contou ainda com o apelo à ilustração de Maria Keil, para histórias de autores como Isabel César Anjo, e o novo fôlego dado aos cadernos de iniciação científica de Rómulo de Carvalho.

O corpo de Idalina Sá da Costa está desde esta quarta-feira à tarde na Igreja do Lumiar, em Lisboa, onde na quinta-feira será celebrada missa, às 15h00. De acordo com a família, o funeral sairá às 15h30 para o cemitério do Lumiar.