Foi noticiado como “Diego Caradona” aos 10 anos e faleceu aos 60, na sua casa. Pelo meio, estreou-se com apenas 15 anos, marcou a famosa ‘Mão de Deus’ e foi um dos melhores de sempre a jogar futebol.

Diego Armando Maradona, um jovem de apenas 10 anos, causava furor nos intervalos dos jogos do Argentinos Juniores, o clube da formação. Num desses jogos, frente ao Independiente, o ‘pequeno’ Diego espalhou magia com os outros apanha-bolas e o jornal argentino, Clarín, foi o primeiro a noticia-lo. O problema foi escrever o seu nome com C e dar a conhecer o miúdo como “Diego Caradona”.

É esquerdino, mas sabe usar a direita. Diego Caradona, dez anos, ganhou aplausos no intervalo do jogo entre Argentinos Juniors VS Independiente. Com uma camisola que fica um pouco folgada e com uma franja que quase não o deixa ver, Dieguito parece ter fugido de qualquer de Buenos Aires”, pode ler-se na notícia do Clarín, em 1971.

Aos quinze anos, ‘El Pibe’ fez o seu primeiro jogo como sénior e desde então não parou de bater recordes. Nesse dia, o Argentinos Juniores bateu o recorde de público nas bancadas (7.736) porque toda a gente queria ver, ao vivo, aquele ‘rapazinho’. Aos 17 anos já era convocado para a seleção argentina.

Considerado duas vezes como ‘o melhor jogador da América do Sul’, Maradona atraiu o interesse de um dos maiores clubes de sempre, Boca Juniores, decidiu compra-lo, em 1980. No jogo de estreia na ‘La Bombonera’, atraiu mais de 65 mil pessoas e marcou por duas vezes numa vitória folgada por 4-1 frente ao Talleres de Córdoba.

A ida para Barcelona

Após dois anos de ‘Rei’ em Buenos Aires, Diego Maradona protagonizou mais um recorde: o Barcelona comprou-o por sete milhões de euros e estabeleceu o maior montante pago numa transferência até então. ‘El Pibe’ chegou à Catalunha para salvar o clube ‘Culé’ que passava uma má fase da sua história com apenas um campeonato espanhol em mais de 15 anos.

A sua primeira e segunda épocas são bastante áquem do esperado: na primeira sofre de hepatite e fica de fora por três meses, enquanto que na segunda sofre uma falta bastante dura de Andoni Goikoetxea, jogador do Athletic Bilbao, e fica de fora cerca de 106 dias.

Já com Maradona em campo, o Barcelona deu a volta às adversidades e conseguiu ganhar o título espanhol por um ponto. Depois do fim da época, vieram os problemas com o presidente que praticamente o expulsou do clube catalão, mas a sua fase de ouro ainda estava por chegar, em Itália.

Salvo pelo Nápoles

Nápoles, um clube com apenas duas conquistas na Taça de Itália, assume a ‘despesa’ e contrata ‘El Pibe’. As duas primeiras épocas não deram mais que um terceiro lugar ao clube napolitano, mas a terceira começou já com Maradona ‘campeão do Mundo’ pela sua seleção.

Em cinco anos, o ‘Scudetto’ vai duas vezes para Nápoles. Ainda, em 1988-1989, o astro argentino conduz os ‘napolitanos’ ao primeiro troféu europeu: a Taça UEFA ganha ao Estugarda.

A popularidade de Maradona já era tanta que pedia para os cidadãos italianos apoiarem a seleção argentina em vez da seleção ‘nerazurra’ no Mundial de 1990. Pouco tempo depois, foi obrigado a retirar esse pedido.

Tudo parecia um ‘mar de rosas’ até 1991, ano em que testou positivo, pela primeira vez, a um controlo antidoping, acusando cocaína no sangue. Mais tarde, já com provas que o ligavam à Camorra, famosa máfia napolitana, foi suspenso do futebol pela FIFA por quinze meses. Nesse mesmo ano, foi preso em Buenos Aires sob o efeito de drogas.

Até ao fim da carreira, Diego Armando Maradona foi preso várias vezes por desacatos e consumo de drogas.

Após o abandono dos relvados como jogador, Maradona tentou ter sucesso como treinador, mas sempre sem sucesso. O projeto de maior renome foi a sua ida aos quartos de final do Mundial de 2010 pela seleção argentina.

Considerado por muitos com um dos melhores jogadores de sempre, ‘El Pibe’ faleceu esta quarta-feira aos 60 anos, vítima de “uma insuficiência cardíaca aguda”, segundo revela o relatório da autópsia.