A agência de notação financeira Fitch indicou esta quinta-feira esperar quebras de entre 50 e 60% nas receitas do jogo de Macau, no primeiro semestre de 2021, relativamente a igual período de 2019.

“Prevemos quebras mensais de 50 a 60% nas receitas, em relação a 2019, ao longo da primeira metade de 2021”, devido às dificuldades de emissão de vistos individuais na China, de acordo com um comunicado a que a Lusa teve acesso.

Para a Fitch, os procedimentos de pedido e de emissão de vistos individuais e de grupo, suspensos pelas autoridades chinesas no início da pandemia, variam consoante a província chinesa, o que dificulta a entrada dos visitantes em Macau.

Com uma economia fortemente dependente do turismo proveniente da China, a região administrativa especial chinesa tinha recebido, em 2019, cerca de 40 milhões de visitantes, números que contrastam com 4,6 milhões de turistas registados entre janeiro e outubro.

A Fitch acrescentou prever um crescimento no segundo semestre do próximo ano, “liderado pelo segmento de massas ‘premium'”, depois de uma eventual redução das restrições nas viagens de e para Hong Kong e da possibilidade da comercialização de uma vacina contra a covid-19.

Quem viajar entre Macau e Hong Kong está sujeito a uma quarentena obrigatória de 14 dias na entrada em cada uma das regiões semiautónomas chinesas.

As concessões do jogo terminam em 2022, mas o chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng, pode optar por “extensões anuais”, acrescentou a Fitch, sublinhando continuar a acreditar que o concurso público de renovação das seis concessões e subconcessões “será pragmático”.

Três concessionárias (Sociedade de Jogos de Macau, Galaxy e Wynn) e três subconcessionárias (Venetian, MGM e Melco) exploram o jogo em Macau.

As previsões do Governo de Macau indicaram um Orçamento para 2021 deficitário e, devido ao impacto causado pela pandemia covid-19, as receitas do jogo deverão ficar pelos 130 mil milhões de patacas (13,9 mil milhões de euros). Em outubro, a receita bruta acumulada do jogo caiu 81,4%.

Em 2019, os casinos registaram, em 2019, receitas de 292,4 mil milhões de patacas (cerca de 31,1 mil milhões de euros). Do valor bruto das receitas de jogo, 35% vão para os cofres do território.

Para 2021, “verifica-se uma redução nas receitas das finanças públicas, nomeadamente nas receitas provenientes da redução do imposto especial sobre o jogo”, que normalmente representam cerca de 80% da totalidade das receitas públicas de Macau, apontou o Governo na proposta de Lei do Orçamento de 2021, publicada no ‘site’ da Assembleia Legislativa.