O desemprego subiu e atingiu 14,6% da população do Brasil entre julho e setembro, terceiro recorde trimestral consecutivo no país, onde 14,1 milhões de pessoas procuraram trabalho sem encontrar, informou esta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O órgão de estatísticas do Governo brasileiro ressaltou que foi a mais alta taxa de desemprego registada entre julho e setembro na série histórica iniciada em 2012.

O desemprego no Brasil cresceu 1,3 ponto percentual em relação ao segundo trimestre do ano, quando 13,3% da população declarava procurar emprego sem encontrar. Isto significa que mais de 1,3 milhões de pessoas perderam o emprego no país no período.

Os dados mostraram que entre o terceiro trimestre de 2020 e o mesmo período de 2019 houve aumento de 2,8 pontos percentuais na taxa de desemprego.

Para a analista da pesquisa do IBGE, Adriana Beringuy, o aumento na taxa de desemprego reflete a flexibilização das medidas de isolamento social adotadas na pandemia de Covid-19.

Houve maior pressão sobre o mercado de trabalho no terceiro trimestre. Em abril e maio, as medidas de distanciamento social ainda influenciavam a decisão das pessoas de não procurarem trabalho. Com o relaxamento dessas medidas, começamos a perceber um maior contingente de pessoas em busca de uma ocupação”, explicou.

O contingente de pessoas com trabalho no Brasil reduziu 1,1% face ao segundo trimestre do ano, totalizando 82,5 milhões de pessoas, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

Já entre as pessoas negras, a taxa foi de 19,1%, enquanto a dos pardos (termo usado no Brasil para identificar o tom de pele fruto de miscigenação) foi de 16,5%, ambas acima da média nacional. A população branca registou uma taxa de desemprego de 11,8%.

Para Adriana Beringuy, esses dados indicam uma continuidade de distinção estrutural no mercado laboral brasileiro.

Segundo a analista, negros e pardos “têm taxa de desocupação maior e isso pode estar ligado à questão da baixa escolaridade dessa população e também de um maior nível de pessoas fora da força [de trabalho] nessa população”.

“É mais a continuidade de um processo que já existe e que em alguns momentos ele é intensificado e em outros não. Mas estruturalmente a diferença permanece”, concluiu a especialista do IBGE.