Não há nenhuma surpresa na reeleição de Jerónimo de Sousa, mas o inédito voto contra veio trazer alguma novidade a este Congresso comunista. Pela primeira vez desde que foi escolhido para secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa recebeu um voto contra de um dos membros do Comité Central. Em 2004, ano em que foi escolhido para suceder a Carlos Carvalhas, quatro membros abstiveram-se na votação. Desde então, apenas Jerónimo mantinha a opção de não votar nele próprio e os resultados foram sendo divulgados pelo PCP sempre com essa indicação — “unanimidade” entre todos os membros que não o próprio eleito. Uma unanimidade que 16 anos depois deixou de existir.

Além do voto contra na eleição de Jerónimo de Sousa também na Comissão Política há diferenças em relação aos resultados dos anteriores congressos. Desde que Jerónimo de Sousa ocupa o lugar de secretário-geral é a segunda vez que há uma abstenção na votação da Comissão Política. Ainda assim, 2004 foi o ano em que menos membros do Comité Central estiveram em sintonia: houve um voto contra e 10 abstenções. No Congresso seguinte, em 2008, apenas houve — tal como este ano — uma abstenção e em 2012 a Comissão Política tinha sido eleita por unanimidade.

Novidade também é a entrada de João Ferreira, o eurodeputado e candidato comunista às eleições presidenciais, na Comissão Política do Comité Central. Uma confirmação do peso cada vez maior do eurodeputado, vereador e candidato presidencial comunista na estrutura do partido.

Ainda que o Comité Central tenha sido reduzido em 15 membros para os próximos quatro anos, a Comissão Política, a direção alargada do partido, será maior e ganha agora mais três elementos face à composição anterior — serão 24.

Francisco Lopes, Jorge Cordeiro, José Capucho, mantêm-se, tal como Jerónimo de Sousa na Comissão Política e no Secretariado do Comité Central, o núcleo mais restrito do partido. Paulo Raimundo, que integra os órgãos do PCP há mais de 20 anos, tendo sido escolhido para a Comissão Política e Secretariado ainda no último mandato de Carlos Carvalhas, regressa agora à Comissão Política. Os cinco —  Francisco Lopes, Jerónimo de Sousa, Jorge Cordeiro, José Capucho e Paulo Raimundo — são os únicos dirigentes com assento nos dois órgãos.

Noutras mudanças, Carlos Gonçalves e Margarida Botelho passam para outros organismos executivos do Comité Central. Carlos Gonçalves passa para a Comissão Central de Controlo e Margarida Botelho substitui a histórica Luísa Araújo no Secretariado. Luísa Araújo não desaparece das listas destes três organismos mas passa para a Comissão Central de Controlo

Quer o Secretariado quer a Comissão Central de Controlo foram eleitos por unanimidade pelos 129 novos membros do Comité Central.