“Vergonhoso.” Foi assim que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão apelidou os pedidos de calma feitos pela comunidade internacional depois do assassinato do principal cientista nuclear iraniano na sexta-feira passada. Javad Zarif voltou a exortar o resto do mundo a condenar de forma veemente o ataque ao cientista, o quinto físico nuclear iraniano assassinado desde 2010.

Na sexta-feira, Mohsen Fakhrizadeh, o mentor do programa nuclear do Irão, foi assassinado numa emboscada nos arredores de Teerão. Altos responsáveis iranianos apontaram o dedo a Israel e o Líder Supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, instou as autoridades do país a reagirem à morte de Mohsen Fakhrizadeh-Mahabadi com o prosseguimento dos seus esforços no campo do nuclear.

Este domingo, Javad Zarif  voltou ao Twitter na sequência das reações internacionais “limitadas e mornas”. Ao longo de várias horas, publicou mensagens em vários idiomas: russo, chinês, alemão e, claro, inglês.

“O ataque terrorista ao nosso cientista foi indubitavelmente projetado e planeado por um regime terrorista e executado por cúmplices criminosos. É uma vergonha que alguns se recusem a enfrentar o terrorismo e se escondam atrás de pedidos de moderação. A impunidade encoraja um regime terrorista que tem no seu ADN a agressão”, escreve naquela rede social.

Na mensagem em alemão, Zarif volta a acusar a comunidade internacional de ter dois pesos e duas medidas quando se trata de condenar atos terroristas.

No sábado, a União Europeia considerou a morte do físico um “ato criminoso”. Para além disso, pediu “que todas as partes permaneçam calmas e exerçam o máximo de contenção para evitar uma escalada que não pode interessar a ninguém”.

A resposta da Nações Unidas manteve o mesmo tom. Para além de pedir moderação, a ONU lembrou que  condena “qualquer homicídio ou execução extrajudicial”.

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Na mensagem em russo, Zarif insistiu que o assassínio é “uma violação do direito internacional e um desrespeito aos princípios humanos e morais”, enquanto que na mensagem em mandarim pede a construção de “um consenso diante das tensões na região”.

O assassinato do cientista nuclear só foi fortemente condenado por grupos e países aliados ou próximos ao Irão, como o grupo Hamas, o grupo Hezbollah, a Síria, a Turquia e o Qatar.

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