Os CTT garantiram que a adesão dos seus trabalhadores à greve desta segunda-feira ronda os 10,5%, mas o sindicato assegura que é de cerca de 50%, justificando a disparidade com formas diferentes de fazer a contabilização.

De acordo com Victor Narciso, secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), a contabilização da adesão à greve da estrutura sindical é realizada num universo que ronda os 3.100 trabalhadores e que exclui contratados a termo e chefias que “não podem fazer greve porque seriam exoneradas”.

No seu comunicado, os CTT informaram que, “tendo procedido ao registo no sistema de processamento de vencimentos dos trabalhadores aderentes à greve, apuraram uma taxa efetiva de adesão de apenas 10,5% até às 12:00 horas desta segunda-feira, sem impacto expressivo na atividade da empresa”.

Segundo a empresa, “a distribuição postal continua, portanto, a ser prestada durante o dia de hoje, não tendo esta paralisação tido impacto na atividade e operação, não se sentindo qualquer interrupção do serviço aos clientes. No respeitante às lojas CTT, a greve também não afetou o serviço, uma vez que todas as Lojas CTT se encontram abertas”.

Ainda assim, a empresa referiu que “nos locais onde eventualmente se sentirem eventuais constrangimentos os CTT, caso seja necessário, vão proceder, como habitualmente, a uma distribuição extraordinária de correio nos próximos dias”.

Victor Narciso, por sua vez, indicou que o SNTCT estima que a adesão à greve se mantenha em níveis próximos dos 50%, sendo que a paralisação irá ainda ocorrer na quarta e quinta-feira. Em declarações à Lusa, no dia 17 de novembro, o secretário-geral do SNTCT disse que a greve deverá ter “um grande impacto no atendimento e no tratamento e distribuição de correspondência, mas é essa a intenção, para que a empresa perceba a indignação dos trabalhadores e a opinião pública perceba o que se passa nos CTT”.

Victor Narciso lembrou que o processo negocial se arrastou desde o início do ano e acabou sem qualquer acordo, já em fase de conciliação do Ministério do Trabalho, com a empresa a alegar falta de liquidez para os aumentos salariais.

A empresa disse que não tinha dinheiro, mas pouco depois distribuiu prémios, com critérios subjetivos, e antecipou o pagamento do subsídio de Natal, parece que o problema não seria a alegada falta de liquidez, mas sim a falta de vontade de aumentar os salários”, afirmou, na altura.

Na passada sexta-feira, em comunicado, a Associação Nacional dos Chefes de Estação dos Correios (ANCEC) manifestou a sua total discordância e incompreensão em relação à greve geral considerando-a “totalmente inoportuna” e que “em nada vem contribuir para a união dos profissionais dos CTT”.

A Associação Nacional de Responsáveis de Distribuição (ANRED), por seu turno, considerou que a paralisação “mais uma vez, tem na sua base motivações estritamente ideológicas e políticas” e referiu que, nas atuais condições, é “oportunista e lesiva dos interesses dos trabalhadores”.

Os CTT já tinham condenado a greve devido à data escolhida, garantindo que não faltam colaboradores no quadro e que vão ser pagos prémios aos trabalhadores. Num comunicado divulgado no dia 19 de novembro, os Correios vincaram que os compromissos com os trabalhadores têm sido assegurados, sublinhando que, perante a Covid-19, não recorreram ao regime de ‘lay-off’, comparticiparam a vacina contra a gripe e anteciparam o pagamento do subsídio de Natal e dos prémios extraordinários.

Para os CTT, questionar a atribuição de prémios e a antecipação do subsídio “é de uma enorme insensatez”, ressalvando, no entanto, que este custo “em nada é comparável com o impacto que um aumento salarial teria nos resultados da empresa”. Os Correios lembraram também que, anualmente, já estão salvaguardadas as diuturnidades e progressões de carreira, tendo o incremento sido, em média, de 4% nos últimos três anos.

Adicionalmente, referiram que os resultados da empresa estão a ser “fortemente” impactados pela pandemia e que o crescimento do tráfego de encomendas não compensa a descida do negócio correio, acrescentando que, à semelhança do que aconteceu noutros setores, houve um “incremento considerável” de custos para proteger os trabalhadores face ao novo coronavírus.

Os CTT rejeitam também as acusações de que faltam trabalhadores no quadro e de que a prestação do serviço postal universal não cumpre os padrões de qualidade, notando que sempre cumpriram o indicador geral de qualidade até que, em 2018, “a dois anos do fim do contrato de concessão”, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) “decidiu alterar os critérios”.