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Everton ganhou ao frio, à relva e a Otamendi (a crónica do Marítimo-Benfica)

Foi pela esquerda que o Benfica deu a volta a um erro no centro da defesa e a levou às direitas na Madeira, com regresso às vitórias frente ao Marítimo tendo o melhor Everton e o pior Otamendi (2-1).

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Everton Cebolinha voltou a marcar dois meses depois e carimbou a reviravolta do Benfica no início da segunda parte

Helder Santos

Everton Cebolinha voltou a marcar dois meses depois e carimbou a reviravolta do Benfica no início da segunda parte

Helder Santos

A chegada das equipas “grandes” à Madeira tem sempre o condão de ser um momento extra de festa quando a fase que atravessam é positiva ou de bálsamo quando o período não é o melhor. Às vezes parece quase como se o que se passa no Continente não chega às ilhas, que colocam em primeiro plano a paixão pelos clubes que não têm tantas oportunidades de seguir ao vivo e secundarizam tudo o resto. No entanto, e ao contrário desse cenário, a ida dos encarnados ao Funchal não começou da melhor forma, com três adeptos a fazerem algumas críticas após a comitiva ter chegado ao aeroporto Cristiano Ronaldo. “Isto não são os lagartos”, “Respeitem mais os sócios”, “Vejam mas é se começam a jogar à bola” e “Tens é de correr”, neste caso para Gabriel, foram frases percetíveis no momento.

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Rui Costa, administrador da SAD e agora também vice do Benfica, acercou-se dos três adeptos em questão e esteve cerca de cinco minutos a acalmar os ânimos, tendo Jorge Jesus por perto enquanto os jogadores iam fazendo o seu trajeto para o autocarro, de onde seguiriam para a unidade hoteleira onde ficaram em estágio até à hora da partida com o Marítimo. O episódio acabou por ser desvalorizado em termos internos, não só pelo número reduzido de pessoas em causa mas também pelo impacto que teve no grupo, mas acabou por ser o retrato de um momento menos conseguido que os encarnados atravessavam e que teve apenas uma vitória nos últimos cinco encontros oficiais (na Taça de Portugal, em Paredes) depois de um série convincente de sete triunfos consecutivos depois da eliminação da fase de grupos da Champions, com um total de 8-11 em golos e dois desaires no Campeonato.

“Não estou nada surpreendido de o Sporting ser o primeiro classificado há duas jornadas porque os orçamentos não são determinantes e o Campeonato vai ter várias oscilações de classificação mas como é óbvio é preferível andar em primeiro do que em segundo lugar. O líder já foi o Benfica, hoje é o Sporting, amanhã pode ser o FC Porto. São equipas com capacidade para isso. O que sei é que vai ser um Campeonato competitivo e que o mais importante é chegar ao fim em primeiro”, relativizou o técnico das águias, que descrevia a deslocação à Madeira como “um jogo sempre complicado porque o Marítimo apresenta sempre boas equipas” antes de voltar a olhar para o rendimento do Benfica nos últimos encontros e sobretudo para os golos sofridos pelos encarnados.

“Claro que a questão dos golos sofridos me preocupa, seja um, dois ou mais, mas cada jogo onde sofres golos tem uma história diferente e penso que os dois golos que sofremos em Glasgow com o Rangers foram mérito de quem ataca e não porque quem defende estivesse mal. Os dois golos que sofremos na Escócia são mérito do adversário, portanto não contabilizo esses dois golos como alguns dos que nós já sofremos antes porque em termos de organização defensiva não estivemos bem”, defendeu, argumentando que não foi nem pelo rendimento do setor recuado nem pela forma como sofreu os dois golos antes do 2-2 com um autogolo de Tavernier e um golo de Pizzi em pouco mais de três minutos que o Benfica falhou. E agora teria até mais duas opções para esses setores, com os regressos de Otamendi (que estava castigado) e Samaris (que não está inscrito na UEFA) entre as ausências de André Almeida, Todibo, Nuno Tavares e Weigl, além de Taarabt, Pedrinho e Darwin Núñez.

Era ali no Caldeirão, o local onde Bruno Lage orientou pela última vez o Benfica antes de sair no final da última temporada e Luís Filipe Vieira tentar pela primeira vez o regresso de Jorge Jesus (na altura sem sucesso, algo que mudaria algumas semanas depois com o treinador a deixar mesmo o Flamengo para voltar à Luz), que as águias cozinhavam o início de um ciclo com um calendário que permitia chegar às vésperas do Natal, quando será jogada a Supertaça relativa à última época com o FC Porto. Para isso, e um pouco à semelhança do que já acontecera no jogo com os escoceses, o desafio passava por manter a facilidade de processos que permitem à equipa criar com alguma facilidade oportunidades de golo mas, em paralelo, “fechar a baliza” no regresso de Vlachodimos ao onze.

Não conseguiu na totalidade. Sofreu um golo em mais um erro crasso de Otamendi e não consentiu muitas mais oportunidades também porque o Marítimo nunca conseguiu aproveitar alguns maus posicionamentos e passes errados no primeiro terço que com outro tipo de adversário poderia trazer um resultado diferente. No entanto, e no plano ofensivo, o Benfica voltou a ser forte, sobretudo quando atacou pela esquerda. Mesmo contra um tempo instável de chuva e vento, mesmo num relvado complicado para jogar, Everton Cebolinha destacou-se pelo pragmatismo nas ações atacantes, pela capacidade de desequilibrar em diagonais ou a chamar adversários para libertar a bola em Grimaldo e pela espontaneidade de remate que ofereceu a vitória por 2-1 nos Barreiros.

Ficha de jogo

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Marítimo-Benfica, 1-2

8.ª jornada da Primeira Liga

Estádio no Marítimo, no Funchal

Árbitro: Manuel Mota (AF Braga)

Marítimo: Charles; René, Lucas Áfrico (Alipour, 84′), Leo Andrade; Cláudio Winck, Jean Irmer (Jean Cléber, 84′), Pelágio (Rafik Guitane, 90′), Marcelo Hermes; Rúben Macedo (Correa, 70′), Joel Tagueu (Milson, 70′) e Rodrigo Pinho

Suplentes não utilizados: Amir, China, Bambock e Gonçalo Duarte

Treinador: Lito Vidigal

Benfica: Vlachodimos; Gilberto (Diogo Gonçalves, 79′), Otamendi, Vertonghen, Grimaldo; Gabriel, Pizzi (Jardel, 90+2′); Rafa, Everton Cebolinha; Waldschmidt (Gonçalo Ramos, 72′) e Seferovic (Samaris, 79′)

Suplentes não utilizados: Helton Leite, João Ferreira, Chiquinho, Cervi e Ferreyra

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Rodrigo Pinho (14′), Pizzi (32′) e Everton Cebolinha (51′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Everton Cebolinha (65′)

O Benfica teve uma entrada com algumas parecenças em relação à última época sem tanta capacidade de aparecer em zonas de finalização mas a dominar por completo do meio-campo para a frente, tendo os centrais na linha do meio-campo e mostrando uma boa dinâmica coletiva capaz de construir pelo corredor central antes de explorar as laterais. Rafa, após cruzamento de Grimaldo, teve um primeiro aviso mas o desvio ao segundo poste pressionado por Hermes saiu ao lado (4′). Sem capacidade para sair em transição ou encontrar referências para ligar setores, os insulares viviam à base da exploração dos erros adversários. Foi assim, após uma perda de bola de Pizzi, que Rodrigo Pinho ganhou a bola no corredor central, ganhou metros e rematou mas ao lado (6′). Foi assim, após um passe curto de Otamendi para Vlachodimos quando o argentino estava sozinho após um alívio da defesa visitada, que Rodrigo Pinho inaugurou o marcador, com um grande chapéu ao guarda-redes grego (14′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Marítimo-Benfica em vídeo]

O Benfica até já tinha conseguido acertar de raspão na trave, numa diagonal de Everton Cebolinha da esquerda para o meio, com remate a ficar muito perto do golo (11′). No entanto, apesar dessa oportunidade e do domínio com e sem bola no jogo, os encarnados voltavam a partir em desvantagem depois de mais um erro crasso de Otamendi, o defesa mais caro contratado na presente temporada. E demoraram ainda alguns minutos a reagir, também pela longa paragem no encontro após um choque que deixou Otamendi de cabeça aberta e Rodrigo Pinho muito mal tratado, com um visível inchaço na cara e com o olho direito negro e semicerrado. Conseguiu. E com muito mérito à mistura, canalizando metade dos ataques pela esquerda onde Grimaldo e Everton foram desequilibrando como no lance do empate, com cruzamento atrasado do espanhol para Pizzi rematar de pé esquerdo na área (32′). O mesmo Pizzi, Waldschmidt e Rafa podiam depois ter desfeito a igualdade mas o intervalo chegou com 1-1.

Gabriel, Pizzi e Grimaldo chegaram ao final dos primeiros 45 minutos (que tiveram mais sete de descontos) com mais passes certos sozinhos do que toda a equipa do Marítimo junta, em mais um dado que explicava bem tudo o que se passava em campo num jogo tenso na zona dos bancos, com Jorge Jesus em constante despique com os elementos insulares pelo alegado anti-jogo que os insulares faziam. Foi por isso que, quando os encarnados fizeram o 2-1, o primeiro “alvo” do técnico foi o homólogo, Lito Vidigal (que se queixava de uma falta de Gabriel no início do lance que teria sido marcada ao contrário): Waldschmidt encontrou Seferovic no meio, o suíço assistiu bem Everton Cebolinha e o remate do brasileiro saiu certeiro após uma grande receção orientada (51′).

O Benfica tinha sido a única equipa a tentar jogar futebol, a tentar chegar a zonas de finalização e a tentar procurar o golo, contra um Marítimo mais preocupado em não sofrer do que propriamente em criar ocasiões para marcar (e porque Rodrigo Pinho é muito bom mas não pode fazer tudo). Também por isso, e quando se apanhou na frente, as características do encontro mudaram, com uma maior gestão na posse para colocar “gelo” no encontro e evitar um último forcing insular aproveitando também uma possível fadiga acumulada dos encarnados. Todavia, e tirando um remate de fora da área de Milton para defesa fácil de Vlachodimos (76′), foram poucas ou nenhumas as oportunidades para o empate. Não por mérito dos encarnados, que entre Otamendi, Vertonghen e Gabriel continuaram a ter alguns passes errados que podiam ter comprometido, mas por demérito dos maritimistas, sem capacidade para encontrar unidades que levassem a bola para a frente e criassem situações no último terço.

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