O despique gerado entre Bernardo Silva e as hostes portistas depois da mensagem nas redes sociais do português após o triunfo no primeiro encontro na Champions levou a uma resposta mais azeda de Sérgio Conceição e a uma tarja dos Super Dragões tendo o internacional como alvo (“Anão, os milhões estão no teu ADN. Jogas por quem os tem e foste dispensado por quem os deve”, podia ler-se na mensagem deixada num viaduto perto do Dragão). No final do jogo que terminou com um nulo, Luís Gonçalves, diretor do futebol e administrador da SAD dos azuis e brancos, ainda se aproximou também do esquerdino num ambiente que parecia tenso mas tudo acabou da melhor forma e com alguns sorrisos. Tudo arrumado, pelo menos neste aspeto. Mas nem tudo estava arrumado em relação às pequenas quezílias que vinham ainda de Manchester, sobretudo entre os dois treinadores.

A equipa de Marche soube como correr (a crónica do FC Porto-Manchester City)

“Terminámos o grupo em primeiro lugar, jogamos sempre para ganhar. Não concedemos um canto nem um único remate aqui diante do FC Porto que, a par do Benfica, é a melhor equipa de Portugal. É uma equipa com um físico impressionante. Neste jogo, tivemos oportunidades mas não marcámos. Eles tinham quase sempre oito jogadores na área. O Marega e o Corona, os mais adiantados, também estavam muito atrás”, comentou o técnico espanhol, mostrando-se satisfeito pela exibição e dizendo que Marchesín esteve “excecional”.

“Como seria de esperar foi um jogo difícil, complicado. Jogámos contra uma equipa que tem um estilo único de jogar, sempre a pressionar o árbitro. Todas as faltas que sofrem caem para o chão a gritar. Parece que precisam de chamar a ambulância. Mas, enfim, foi um jogo difícil e complicado, como todos os da Champions”, disse também o capitão dos ingleses, Fernandinho, numa afirmação que mereceu até resposta do diretor de comunicação dos dragões, Francisco J. Marques. “A absoluta falta de noção de Fernandinho, que devia ter sido expulso por agressão e depois por acumulação de amarelos. Isto para não falar do penálti tão evidente sobre Otávio. Parabéns a todos por mais um apuramento na mais difícil competição de clubes do mundo”, destacou, recordando um lance no início da primeira parte que envolveu Otávio e Ederson numa jogada na linha de fundo da área dos ingleses.

“Guardiola estava chateado no final? Eu também ficaria se não conseguisse ganhar com a equipa e o orçamento que ele tem…”, atirou Sérgio Conceição na zona de entrevistas rápidas. “O apuramento foi conseguido com uma série de jogos impressionante da nossa parte. Houve uma grande organização da minha equipa e o objetivo foi conseguido com todo o mérito. O FC Porto conseguiu aqui o 16.º apuramento para os oitavos de final em 24 ocasiões, mais do dobro de todas as outras equipas portuguesas. Conseguimos elevar bem alto no nome de Portugal. Hoje mostrámos bons momentos bons de organização defensiva mas foi difícil chegar à frente como queríamos muito por culpa do City, que teve uma boa reação à perda”, prosseguiu o treinador.

“Fomos trabalhando ao longo destes anos. Não é haver algum tipo de vaidosismo no que vou dizer mas temos três vezes a passagem aos oitavos de final comigo e não foi em épocas douradas. Foram épocas difíceis. É preciso ser criativo e inteligente para dar continuidade a um historial tão grande como o que tem o FC Porto. Há que dar mérito aos jogadores, que têm conseguido isto, no meio de tantas dificuldades”, acrescentou ainda, antes de abordar as declarações de Fernandinho: “Não sei ao certo o que ele disse mas esta equipa é talvez a equipa mais cara do mundo, é normal que se sintam frustrado por não ganharem a uma equipa com 10% do orçamento”.

“Fizemos um jogo muito bom contra uma equipa que joga muito, que tem muita qualidade em posse. Estivemos fortes e unidos e isso foi importante. O mister preparou muito bem o jogo. Conseguimos o apuramento para todos os adeptos, que é muito bom. Fico contente por terminar sem sofrer mas o mais importante é a classificação. Tudo o que fizemos, como nos matámos dentro de campo. Isso é muito importante. É difícil jogar contra uma equipa como o City, mas estivemos à altura. Estivemos à altura ao longo de toda a campanha. Conseguimos o nosso objetivo que era o mais importante. Além disso até poderíamos ter tido um penálti claro para chegar à vitória”, salientou ainda Marchesín, um dos melhores do FC Porto no encontro que carimbou a passagem aos oitavos.