A ministra da Saúde, Marta Temido, referiu esta quarta-feira que a disponibilização de vacinas contra a Covid-19 terá, de acordo com o “calendário previsível”, uma fase inicial de escassez que se prevê ir até ao final do primeiro trimestre e que só depois é que a vacina será progressivamente generalizada.

“Se se confirmarem os prazos de que temos conhecimento e que as próprias companhias estimam admitimos que no primeiro trimestre teremos um cenário de alguma escassez de vacinas que justificaram a seleção de grupos de população obrigatórios”, referiu esta quarta-feira, um dia antes de o governo anunciar por completo o plano de vacinação para a Covid-19.

Só depois desse período inicial é que, segundo a ministra, haverá maior disponibilidade da vacina. “Num cenário extremo, de final de ano, é equacionável que haja uma distribuição muito mais descentralizada do que no início do ano”, refere.

No final de contas, Portugal contará com um total de 22 milhões de vacinas por um total de 200 milhões de euros, detalhou a ministra.

O processo de vacinação será “longo”, refere. “Não vai ser um processo que se concretizará num único dia ou sequer num período de tempo muito curto”, referiu. Horas antes, também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, dizia ao Observador o mesmo: “Não tenhamos ilusões, este é um processo lento, de muitos meses”.

A ministra sublinhou ainda que a vacina será administrada no Serviço Nacional de Saúde e que “será obviamente uma medicação gratuita, facultativa”.

Marta Temido referiu ainda que há “muitas incertezas” em torno do plano de vacinação e sobre as vacinas em si, acabando por referir três.

Em primeiro lugar, “não são ainda conhecidos os resultados da fase três” e, como tal, ainda não há nenhuma vacina aprovada pela Agência Europeia do Medicamento, condição inultrapassável para que um fármaco seja disponibilizado na União Europeia. Nesse sentido, há duas reuniões decisivas: a 29 de dezembro, com a Pfizer; a 12 de janeiro, com a Moderna. De cada uma dessas reuniões com aquelas farmacêuticas poderá resultar a aprovação das respetivas vacinas.

Em segundo lugar, a ministra da Saúde referiu que “há muitas incertezas relacionadas com os ensaios clínicos publicados neste momento” e que ainda não é conhecida a eficácia da vacina em dois grupos: crianças e grávidas.

Em terceiro e último lugar, e sem elaborar mais, a ministra referiu que pode haver incertezas no que diz respeito à disponibilização da entrega das vacinas, referindo assim que esta deverá decorrer “de acordo com os princípios assumidos por todos os países [da UE], acontecerá simultaneamente”.