O Departamento de Justiça dos EUA está a investigar possíveis subornos em troca de indultos presidenciais, de acordo com documentos judiciais a que meios de comunicação como a agência Reuters tiveram acesso. Este departamento norte-americano, que em Portugal corresponde à Procuradoria-Geral da República, terá obtido provas de que foi criado dentro da Casa Branca um esquema de subornos no qual alguém “oferecia uma contribuição [financeira] política significativa em troca de um indulto presidencial ou suspensão de penas”.

Serão 18 páginas das quais cerca de metade estão rasuradas – a versão vista pela imprensa contém uma explicação não muito detalhada de como o alegado esquema terá funcionado (ou estará a funcionar) e não tem quaisquer nomes de pessoas potencialmente envolvidas e que estejam sob investigação das autoridades. Pode ler-se, porém, que está, também, a ser investigado um possível “esquema secreto de lobbying” em que duas pessoas trabalhavam como lobistas junto de responsáveis da Casa Branca, sem que esse trabalho estivesse registado de forma transparente, como obriga a legislação que rege o lóbi nos EUA.

Apesar de não estar nada no documento, houve uma fonte do Departamento de Justiça que disse, citado pela Reuters, que nenhum responsável da administração está ou esteve sob investigação. Mas houve um pedido de autorização pedido à juíza Beryl Howell, que está com este processo, para ler e-mails trocados entre advogados e seus clientes – um pedido que foi aceite porque a juíza considerou que não se aplica, neste caso, o sigilo previsto para a relação advogado-cliente. Ao abrigo desta investigação, foram apreendidos “mais de 50” dispositivos informáticos, como computadores portáteis e iPads.

Trump concede indulto a ex-conselheiro Michael Flynn, visado na acusação à interferência russa nas eleições de 2016

Donald Trump tem, como qualquer Presidente dos EUA, capacidade para conceder indultos sem precisar de dar justificações quando o faz. Ainda na semana passada, concedeu um indulto ao seu ex-conselheiro Michael Flynn e anteriormente já tinha feito o mesmo ao seu amigo Roger Stone. Esta noite de terça-feira, o NY Times noticiou que Trump poderá estar a ponderar conceder “indultos antecipados” a pessoas como o seu advogado, Rudy Giuliani, os seus filhos Donald Trump Jr e Ivanka, além do marido desta (Jared Kushner).

Não é totalmente claro que tipo de crimes o Departamento de Justiça (sob Biden) poderá tentar imputar a estas pessoas, designadamente a filha Ivanka, mas em torno de Donald Trump Jr., por exemplo, recaem suspeitas – que nunca resultaram numa acusação – de que o filho de Trump poderá ter contactado com agentes russos que ofereceram materiais comprometedores sobre Hillary Clinton na campanha presidencial de 2016. Já Rudy Giuliani terá estado sob investigação pelo Ministério Público de Manhattan por causa dos seus negócios na Ucrânia e sobre a exoneração de um embaixador americano nesse país.

Donald Trump já reagiu a estas notícias via rede social Twitter dizendo tratar-se de uma notícia falsa.