O governador de São Paulo, o estado brasileiro mais afetado pela pandemia, afirmou esta quinta-feira que a CoronaVac, potencial vacina chinesa contra a Covid-19, começará a ser aplicada à população “paulista” em janeiro de 2021.

Em São Paulo, de forma responsável, seguindo a lei, cumprindo o protocolo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa, órgão regulador do Brasil), e obedecendo aos princípios de proteção à vida, nós vamos iniciar a imunização dos brasileiros de São Paulo no próximo mês de janeiro”, declarou o governador, João Doria, em conferência de imprensa.

Segundo Doria, na segunda-feira será apresentada uma proposta estadual de imunização.

“Vamos apresentar de forma precisa, com cronograma, setores, volume de vacinas, regiões, áreas, logística e todo o processo. Já temos esse plano pronto há pouco mais de 20 dias”, garantiu Doria, ao criticar o plano preliminar de imunização apresentado pelo Ministério da Saúde brasileiro, que sinaliza o início da vacinação no país para março do próximo ano.

Eu indago se os membros do Governo federal não enxergam e não registam o facto de que temos mais de 500 brasileiros que morrem todos os dias de Covid-19. Qual o motivo de iniciar uma imunização em março, se podemos fazer isso já em janeiro?”, questionou o governador, que se tornou um dos adversários mais ferrenhos do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, o que levou a uma forte disputa política em torno da Coronavac.

Doria frisou que a vacinação em São Paulo será realizada mesmo sem investimento do governo federal. Contudo, a vacina chinesa só estará disponível para a população brasileira quando for verificada a sua eficácia, o que deve ocorrer após a conclusão da terceira fase dos estudos clínicos, e posterior aprovação e registo pela Anvisa. O imunizante está em fase final de testes clínicos em humanos no Brasil e deve ter os resultados de eficácia anunciados na primeira quinzena de dezembro.

Teremos até dia 15 a apresentação dos resultados de eficácia do estudo clínico que o Butantan patrocina para essa vacina nos 16 centros brasileiros. A vacina está a cumprir todos os protocolos, seguindo o que é proposto pela Anvisa. Todo o dossiê está a ser encaminhado e será fechado até 15 de dezembro. A vacina estará apta a ser fechada. Nós vamos solicitar o registo normal do imunizante”, garantiu Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan.

O governo de São Paulo firmou um acordo para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac e para a transferência de tecnologia para o Instituto Butantan, principal centro de referência imunológica do Brasil e que está vinculado ao governo de São Paulo.

O Ministério da Saúde brasileiro anunciou na terça-feira uma estratégia “preliminar” de vacinação contra a Covid-19 que dará prioridade a idosos, profissionais de saúde e indígenas. O executivo de Jair Bolsonaro prevê iniciar a imunização em março nesses grupos, mas não há perspetiva de vacinar toda a população até ao final de 2021.