O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou esta quinta-feira a gestão da pandemia feita por alguns governos, denunciando que foram ignoradas orientações da Organização Mundial de Saúde que deveriam ter sido a base para uma resposta à escala global.

Sem mencionar especificamente nenhum Estado, Guterres alertou que quando alguns países decidem seguir um caminho próprio, o vírus espalha-se em todas as direções.

O responsável das Nações Unidas falava na abertura de uma sessão extraordinária da Assembleia Geral para tratar da resposta à pandemia, na qual se espera que quase uma centena de líderes internacionais intervenham com mensagens de vídeo ao longo do dia.

Guterres referiu ainda que, embora “a Covid-19 não discrimine ninguém”, os esforços para a prevenir e para a conter fazem-no.

“Por isso, a pandemia atingiu com mais força os mais pobres e vulneráveis das nossas sociedades. Está a ter um impacto devastador sobre os idosos, as mulheres e as meninas, as comunidades mais pobres, os marginalizados e os isolados”, denunciou.

Por outro lado, o diplomata português saudou o facto de existirem vacinas, admitindo que parecem estar muito perto de poderem começar a ser utilizadas, mas avisou que as imunizações não vão acabar com os danos causados pelo coronavírus, que se farão sentir durante anos e mesmo décadas.

Entre os danos que virão, destacou o aumento da pobreza, a ameaça da fome e a maior recessão global em décadas, problemas que “não são apenas resultado da Covid-19, mas também de fragilidades que a pandemia expôs”.

Por isso, Guterres defendeu, mais uma vez, ser altura de promover uma grande mudança no mundo, aproveitando a recuperação que se avizinha para criar economias mais sustentáveis, justas e verdes.

No plano da saúde, o responsável da ONU sublinhou que a resposta coordenada liderada pela OMS visa conter o vírus, reduzir a mortalidade e desenvolver vacinas e tratamentos que estejam ao alcance de todos.

Nesse sentido, pediu apoio para a plataforma Covax, mecanismo promovido, entre outras entidades, pela OMS para facilitar o acesso às vacinas à população de todo o mundo.

A sessão extraordinária da Assembleia Geral da ONU sobre a pandemia acontece esta quinta-feira e na sexta-feira, quando falarão autoridades de diferentes organismos internacionais e especialistas no desenvolvimento de vacinas.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.495.205 mortos resultantes de mais de 64,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.