Um estudo da consultora Deloitte destaca a “relevância do financiamento especializado” como motor de crescimento económico, apontando o ‘leasing’, ‘factoring’ e ‘renting’ como impulsionadores da tesouraria das empresas, da economia verde e de novas formas de mobilidade.

“Os produtos de ‘leasing’, ‘factoring’ e ‘renting’ têm vindo a posicionar-se enquanto ‘drivers’ inequívocos de crescimento económico em Portugal e na Europa. A resiliência demonstrada ao longo dos últimos anos reforça a sua importância futura e faz antecipar uma resposta positiva ao contexto desafiante de pandemia por Covid-19”, conclui o estudo “Financiamento Especializado e a Economia Portuguesa”, desenvolvido pela Deloitte em parceria com a Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF) e a que a agência Lusa teve esta sexta-feira acesso.

O ‘leasing’ é uma modalidade de aluguer de longa duração através da qual o locador (empresa de ‘leasing’), concede ao cliente um bem móvel ou imóvel (frequentemente um automóvel) mediante o pagamento de uma renda, por um determinado prazo, ficando o cliente com uma opção de compra no final desse período, mediante o pagamento de um valor residual.

O ‘renting’ é uma outra modalidade de aluguer em que o cliente paga mensalmente não só pelo uso do bem, como pelos serviços de manutenção e outros possíveis extras, ou seja, todas as questões relacionadas com a gestão do bem são delegadas na empresa locadora, sem que o cliente tenha outros encargos. No final do contrato, o cliente tem também a possibilidade de adquirir o bem, mediante o pagamento do valor residual.

Já o ‘factoring’ consiste na cedência de créditos comerciais de curto prazo por parte de uma empresa a uma instituição financeira (referente às vendas a crédito de bens e/ou serviços efetuadas aos seus clientes).

Segundo o trabalho divulgado, “os três produtos têm vindo a apresentar um desempenho assinalável ao longo dos últimos anos”: O ‘leasing’ automóvel registou um crescimento anual de 26% entre 2013 e 2019, maioritariamente impulsionado pelo segmento de empresas; o ‘renting’ teve um crescimento médio anual de 12% e o ‘factoring’ apresentou em 2019 o maior nível de produção da década, com destaque para o contributo da vertente internacional (sobretudo ‘factoring’ de exportação), que entre 2010 e 2019 praticamente triplicou.

A análise da Deloitte ressalva ainda a importância dos produtos de financiamento especializado na economia em 2019, ano em que a produção de ‘leasing’ representou 20,3% do número total de novas matrículas vendidas em Portugal e 8% do investimento em Portugal, os veículos adquiridos em ‘renting’ representaram 14% das novas matrículas e os créditos tomados em ‘factoring’ tiveram um peso de aproximadamente 16% do produto interno bruto (PIB) português.

Tendo em conta as características intrínsecas destes produtos, o trabalho destaca a sua “importância para o tecido empresarial e para a economia portuguesa”, considerando “essencial que tanto o enquadramento legal, como as instituições associadas da ALF potenciem essas especificidades”.

Segundo os associados da ALF, existem duas tendências a sublinhar atualmente: “Uma elevada propensão para o desenvolvimento da componente digital” e “uma evolução da oferta no sentido de reforçar a capacidade das instituições em responder de forma efetiva e personalizada às necessidades e exigências dos clientes”.

O estudo refere ainda que os setores de ‘leasing’, ‘factoring’ e ‘renting’ assumem “um papel fundamental para o futuro da sociedade, nomeadamente na contribuição para a gestão da tesouraria das empresas portuguesas, para o futuro da mobilidade, para a sustentabilidade ambiental e inovação e como impulsionador para a transição para uma economia verde e circular”.

Paralelamente, sustenta, estes produtos “revelam ter um impacto relevante na redução da pegada ambiental associada aos transportes rodoviários, facilitando a transição para frotas ecologicamente mais eficientes, movidas por energias não combustíveis e com menor desgaste”.

O compromisso de alcançar a neutralidade carbónica em 2050, bem como o objetivo de desenvolvimento de uma economia circular em Portugal, carece também naturalmente de um conjunto de investimentos relevantes, que pela sua natureza poderá ser suportado por produtos de financiamento especializado”, nota.

“Os últimos anos têm sido marcados pela afirmação de algumas tendências de transformação da economia e da sociedade. Prevemos que o financiamento especializado desempenhe um papel crucial como agente desse mesmo processo de transformação, nomeadamente na progressiva transição para a eletrificação de frotas, na adoção de fontes energéticas mais sustentáveis para o processo produtivo da economia, na disseminação de novas soluções de mobilidade, na transferência gradual para uma economia circular e verde, e no progresso para a Indústria 4.0.”, afirma o ‘associate partner’ da Deloitte, Bernardo Ferrão, citado num comunicado.

Já o presidente da ALF, Alexandre Santos, destaca que “não alavancar estes instrumentos em benefício da economia portuguesa é um desserviço que se faz ao país”.