É com desconfiança que vários autarcas olham para o processo de voto antecipado e de voto em casa nas próximas eleições presidenciais, marcadas para 24 de janeiro. Ao Expresso, criticam que o planeamento da logística ainda não esteja definido e que os prazos previstos na lei sejam apertados.

Ao semanário, Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, é o que tece mais críticas. O autarca prevê que o voto porta a porta seja uma “habitual confusão à portuguesa”. Numa carta enviada à diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, diz mesmo que não sabe de que forma pode colocar a possibilidade do voto em casa em prática.

É que apenas no dia 17 de janeiro vai ser conhecida a lista de eleitores que estão em isolamento e a 18 contacta-se cada um para marcar uma visita a casa. E a recolha presencial acontece em dois dias, 19 e 20, por uma equipa com vários elementos, desde um agente da PSP a representantes de candidaturas e a autoridade de saúde. Uma das dúvidas de Rui Moreira é se os eleitores vão permitir a entrada de uma equipa numerosa, em tempos de pandemia. E se haverá muitos candidatos disponíveis a expor-se ao risco.

Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos (PS), adianta que ainda não recebeu informação sobre o processo. Ribau Esteves, de Aveiro (PSD), vai mais longe e considera que o voto em casa é um “absurdo total”, que foi desenhado por “teóricos que não sabem o que é operacionalizar no terreno uma logística de voto desta complexidade”.

Isaltino Morais (Oeiras) e Eduardo Vítor Rodrigues (Vila Nova de Gaia) acreditam, por sua vez, que as autarquias vão conseguir formar as equipas para o voto doméstico. Já Paulo Pedroso, que coordena a campanha de Ana Gomes, defende que as eleições deviam ter sido planeadas com mais antecedência já que a possibilidade de uma segunda vaga era conhecida desde março.