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Sérgio e uma versão diferente de "Quem Quer Ser Milionário" com três perguntas de um milhão (a crónica do FC Porto-Tondela)

Sérgio Oliveira, Otávio e Marega são três dos jogadores mais influentes do FC Porto. Todos terminam contrato no fim da época. Dragões sofreram novamente três golos mas venceram Tondela (4-3).

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O avançado maliano marcou duas vezes e foi muito importante para a vitória dos dragões

Miguel Pereira

O avançado maliano marcou duas vezes e foi muito importante para a vitória dos dragões

Miguel Pereira

Esse enorme mundo que é a internet tem praticamente todas as respostas a todas as perguntas possíveis e imagináveis. Até tem, imagine-se, a resposta à questão: “De onde é que vem a expressão pergunta de um milhão de euros?”. Para lá chegar, à resposta, é preciso naturalmente recorrer ao original estrangeirismo. E aí, também de forma previsível, chegamos à conclusão de que o aforismo nasceu nos concursos de cultura geral da televisão. A origem, contudo, estava dividida em duas partes — ou seja, em dois concursos. Assim como em dois países, Estados Unidos e Reino Unido. E para começar a explicação é preciso recuar até à década de 50 do século passado.

Nessa altura, nos Estados Unidos, o concurso “Take It Or Leave It” mudou de nome para “The Sixty Four Thousand Dollar Question”. Porquê? Porque a última pergunta do concurso, em caso de resposta certa, significava para o concorrente um prémio de 64 mil dólares. A partir daí, o programa passou a utilizar o slogan que também era título e que rapidamente passou a significar também uma questão que era difícil e complicada de responder. Quase 40 anos depois, já na década de 90, o original “Take It Or Leave It” foi novamente renomeado e tornou-se o agora bem sucedido “Who Wants To Be A Millionaire” — ou, na versão portuguesa, “Quem Quer Ser Milionário”. Seguindo a lógica do concurso que lhe deu origem, o reformulado programa começou a usar a expressão corresponde ao prémio máximo: e assim nasceu a frase “pergunta de um milhão de libras”, que se tornaram dólares quando o formato estreou nos Estados Unidos e euros quando apareceu na Europa.

Ficha de jogo

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FC Porto-Tondela, 4-3

9.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Tiago Martins (AF Lisboa)

FC Porto: Marchesín, Manafá, Sarr, Mbemba, Zaidu, Uribe, Sérgio Oliveira (Fábio Vieira, 65′), Otávio (Corona, 83′), Luis Díaz (Nakajima, 65′), Marega (Grujic, 83′), Taremi (Evanilson, 65′)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Diogo Leite, Toni Martínez, Nanu

Treinador: Sérgio Conceição

Tondela: Niasse, Medioub, Yohan Tavares, Enzo Martínez, Filipe Ferreira (Khacef, 85′), Tiago Almeida (Bebeto, 72′), João Pedro (João Mendes, 72′), Jaume, Pedro Augusto, Rafael Barbosa (Souley, 85′), Mario González

Suplentes não utilizados: Trigueira, Jota, Jaquité, Jhon Murillo, Strkalj

Treinador: Pako Ayestarán

Golos: Zaidu (4′), Mario González (21′ e 74′), Rafael Barbosa (33′), Marega (36′ e 48′), Taremi (56′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Medioub (39′), a Uribe (40′ e 90+3′), a Pedro Augusto (62′), a Evanilson (79′), a João Mendes (79′), a Jaume (82′), a Enzo Martínez (90+1′); cartão vermelho por acumulação a Uribe (90+3′)

Esta semana, o dono da expressão foi Sérgio Conceição. Acusado de ter criticado Pep Guardiola depois do jogo com o Manchester City, alegadamente porque o espanhol apresentou no Dragão uma estratégia defensiva, o técnico dos dragões respondeu na antevisão à receção ao Tondela e lançou um desafio. “Parece que o melhor passatempo para as pessoas é interpretar mal as minhas palavras. Já estive em equipas mais pequenas em que defrontei equipas com orçamentos 30 vezes maiores, fui um treinador que deu importância à missão defensiva. Isso não quer dizer que provocasse anti-jogo. Nunca critiquei um colega meu por jogar com 10 jogadores atrás da linha da bola. Se alguém arranjar uma declaração minha a criticar isso, dou um milhão de euros”, atirou Conceição.

Este sábado, depois do empate sem golos com o Manchester City que acabou por garantir a passagem do FC Porto aos oitavos de final da Liga dos Campeões, os dragões procuravam voltar às vitórias em casa com o Tondela. No quarto lugar da Liga, atrás do Benfica, do Sp. Braga e do Sporting, o FC Porto estava praticamente proibido de perder pontos nesta fase e recebia uma equipa que ainda só ganhou duas vezes para o Campeonato esta temporada e que não tinha Salvador Agra, expulso na partida anterior. Ainda assim, Sérgio Conceição estava desprovido de Corona, que saiu lesionado contra o City, só fez treino condicionado durante a semana e começava no banco. Assim, saltava Luis Díaz para o onze, tal como Taremi, que voltava à titularidade na frente de ataque ao lado de Marega face à saída de Diogo Leite (e da linha de três centrais) das opções iniciais. Cláudio Ramos, que reencontrava o Tondela depois de se ter mudado para o FC Porto no verão após nove anos ao serviço dos beirões, não estava sequer na ficha de jogo.

Os dragões entraram em campo já a saber que o Sporting tinha empatado, minutos antes, em Famalicão: ou seja, que uma vitória contra o Tondela significava encurtar para quatro pontos a distância para a liderança leonina, para além de que garantia o salto provisório para o segundo lugar, à frente de Sp. Braga e Benfica, ambos com jogos marcados para este domingo. O FC Porto entrou no jogo praticamente a ganhar, com um golo logo aos quatro minutos — Taremi subiu pelo corredor direito, procurou Otávio na faixa central e o brasileiro tirou um adversário da frente para depois assistir Zaidu. O lateral nigeriano, vindo de trás, surgiu a rematar de primeira, abriu o marcador e fez o segundo golo pelos dragões, o primeiro na Liga (4′).

A equipa de Sérgio Conceição poderia ter aumentado a vantagem logo depois, com um remate de Marega que passou ao lado quando Niasse já nem estava na baliza (5′), e ainda viu Taremi atirar rasteiro para uma defesa simples do guarda-redes do Tondela (15′). A partida só tinha um sentido e os beirões mostravam muita dificuldade na hora de esticar o jogo, totalmente encerrados no próprio meio-campo e com receio de cometer erros na transição que oferecessem espaço nas costas da defesa, como aconteceu no lance do golo de Zaidu. Ainda assim, acabou por ser o inverso a procurar nova movimentação no marcador. Sérgio Oliveira perdeu a bola bem dentro do meio-campo adversário, Rafael Barbosa e Mario González desenharam uma tabela simples que deixou Mbemba e Sarr fora da jogada e foi o avançado espanhol, isolado na cara de Marchesín, que atirou em jeito para empatar o resultado no primeiro remate do Tondela na partida (21′).

O FC Porto acusou ligeiramente o golo sofrido e a equipa de Pako Ayestarán apoiou-se no empate alcançado para soltar as amarras e afastar os setores, colocando as linhas mais subidas no relvado e obrigando os dragões a construir a partir de trás. Numa fase de maior apatia do conjunto de Sérgio Conceição, o Tondela chegou mesmo ao segundo golo e colocou-se a ganhar no Dragão: Enzo Martínez cruzou rasteiro a partir da esquerda, González chegou atrasado ao desvio na faixa central mas Rafael Barbosa, ao segundo poste, rematou de primeira para bater Marchesín (33′). A vantagem beirã durou pouco, porém, já que Marega empatou novamente o marcador logo de seguida ao picar a bola por cima de Niasse na sequência de um ressalto depois de um canto (36′).

Os dragões entraram a ganhar, estiveram a perder e foram para o intervalo empatados, depois de uma primeira parte em que a eficácia do Tondela foi suficiente para agitar as águas e obrigar o FC Porto a fazer muito mais do que o aparente jogo tranquilo que se antevia quando Zaidu abriu o marcador. A atuar preferencialmente em 4x3x3, com Taremi na direita, Luis Díaz na esquerda e Marega no eixo ofensivo, era Otávio quem recuava para pegar no jogo e era pelo brasileiro que passava toda a criatividade e imaginação da equipa. O FC Porto estava a ser substancialmente melhor mas precisava de ser demarcadamente melhor para derrotar o conjunto de Pako Ayestarán.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do FC Porto-Tondela:]

Na segunda parte, Sérgio Conceição não fez qualquer alteração e o FC Porto voltou a entrar forte, chegando ao golo ainda antes de estarem concluídos os cinco minutos iniciais depois do intervalo. Sérgio Oliveira, com um toque delicioso de calcanhar, desmarcou Otávio; o médio brasileiro, no corredor direito, tirou um adversário da frente e cruzou rasteiro; na área, Marega dominou e rematou para bisar, colocando os dragões novamente na frente do marcador (48′). O avançado maliano voltava a marcar este sábado, repunha a vantagem do FC Porto mas confirmava principalmente que é um jogador muito mais influente quando acompanhado por dois colegas na frente de ataque, tornando-se mais móvel e solto para aparecer em zonas de finalização.

Aproveitando o desnorte defensivo do Tondela, que foi surpreendido pelo golo de Marega numa fase que era ainda exploratória e onde ainda não tinha deixado claro um rumo para a segunda parte, o FC Porto chegou à goleada e aumentou os números no marcador. Uribe arrancou para dentro da grande área, não foi acompanhado por nenhum defesa adversário e serviu Taremi na perfeição; o iraniano, com um remate forte, fez o quarto dos dragões (56′). Os dois golos da equipa de Sérgio Conceição no arranque da segunda parte, em pouco mais de dez minutos, serviram para descansar os azuis e brancos e abriram a porta ao total domínio dos campeões nacionais em título, com o Tondela a ser frequentemente apanhado em contra-pé nas costas da defesa.

Já depois da hora de jogo, Sérgio Conceição mexeu pela primeira vez e logo com uma tripla substituição: saíram Luis Díaz, Sérgio Oliveira e Taremi, entraram Nakajima, Fábio Vieira e Evanilson. Pako Ayestarán respondeu pouco depois, ao lançar João Mendes e Bebeto, e o Tondela voltou a mostrar que a eficácia é mesmo a sua maior arma. Numa altura em que parecia que o FC Porto tinha todas as ocorrências controladas, Filipe Ferreira descobriu Pedro Augusto na esquerda, o médio brasileiro cruzou e Mario González, vindo de trás, apareceu a antecipar-se a Sarr para cabecear para dentro da baliza (74′). O avançado espanhol bisou, Sarr voltou a ficar mal na fotografia tal como já tinha ficado no lance do primeiro golo dos beirões e o resultado parecia relançar-se no Dragão.

Até ao fim, Conceição procurou consolidar a equipa com Corona e Grujic mas o FC Porto não conseguiu assentar até ao apito final, permitindo ao Tondela um jogo muito partido e sem alicerces que deixou sempre o resultado em aberto, principalmente depois da expulsão de Uribe por acumulação de cartões amarelos. No último fôlego, eram os beirões quem procurava o empate e Khacef, com um remate muito forte no derradeiro minuto de descontos, viu a barra da baliza de Marchesín impedir o quarto golo da equipa de Pako Ayestarán. Naquele que é desde já o jogo com mais golos na Primeira Liga esta temporada, o Tondela marcou três golos no Dragão (algo que nunca tinha conseguido) mas não evitou a derrota. Já o FC Porto, apesar da vitória que encurta para quatro pontos a distância para o líder Sporting, voltou a sofrer três golos (depois das derrotas com o Marítimo e com o P. Ferreira) e acabou a partida a sofrer. Sérgio Conceição ganhou e muito graças a três jogadores: Sérgio Oliveira, Otávio e Marega. Os três jogadores cujo contrato termina em junho de 2021, no final da presente época, e que são agora as três perguntas de um milhão no plantel do FC Porto.

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