A Hispano Suiza, fundada em 1904 pelo engenheiro suíço Marc Birkigt e um grupo de investidores espanhóis liderados por Damián Mateu Bisa, dividiu-se desde cedo entre os motores de avião e os automóveis de luxo, tendo estes últimos visto a sua trajectória ascendente interrompida pela II Guerra Mundial, evento que marcou o final da aventura nas quatro rodas.

O regresso da marca que chegou a ter a sede em Barcelona foi anunciado em 2019, quando levou ao Salão de Genebra um protótipo de um superdesportivo eléctrico, o Carmen, então com 1005 cv, mas já com as formas que revela hoje o modelo de série, que surge agora, 74 anos depois de a marca ter encerrado a produção de automóveis.

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Denominado Carmen Boulogne, o coupé de dois lugares é integralmente construído em fibra de carbono, o que lhe garante a necessária rigidez para exibir um bom comportamento, e um peso reduzido, para favorecer a capacidade de aceleração. O Hispano Suiza parece ainda muito apurado, sob o ponto de vista aerodinâmico, mas o aspecto final não é tão atraente quanto a maioria dos concorrentes, nem tão agressivo como é habitual num superdesportivo.

Lá dentro surgem pormenores que apelam ao luxo, com materiais que parecem acima da média, mas uns pontos abaixo dos Ferrari, Lamborghini e McLaren, ou até mesmo do Rimac que, tal como o Carmen Boulogne, é eléctrico. Curiosa é a forma do selector da transmissão.

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Para a mecânica, a Hispano Suiza recorreu a um parceiro tecnológico, a Nextev, que venceu o primeiro campeonato de Fórmula E em 2015, com Nelson Piquet ao volante. A solução encontrada passou pela montagem de dois motores no eixo traseiro que, em conjunto, fornecem oficialmente mais de 1100 cv mas que, na prática, se aproximam dos 1200 cv.

Para alimentar estes dois motores eléctricos, o modelo recorre a uma bateria com 80 kWh, composta por 700 células instaladas em “T”, para permitir que piloto e passageiro se sentem tão em baixo quanto possível. O construtor reivindica uma autonomia de 400 km, desde que não se usem os 1200 cv…

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Na apresentação à imprensa do Carmen Boulogne, foi o piloto espanhol Luis Pérez-Sala que assumiu o volante de uma unidade apresentada ainda como veículo de testes e que terá 95% da versão definitiva.

O superdesportivo é capaz de ir de 0-100 km/h em somente 2,6 segundos, para depois ver a sua velocidade máxima limitada a 290 km/h. Valores impressionantes, tanto quanto os 1,7 milhões de euros que é necessário pagar pelo novo Hispano Suiza, a que é necessário somar os impostos de cada país.