A mãe de Daisy Coleman, jovem cuja história deu origem ao documentário “Audrie & Daisy” da Netflix, suicidou-se este domingo. Segundo o Daily Mail, a sua morte acontece quatro meses depois de a filha, no dia 4 de agosto, ter tirado a própria vida. É o mais recente desenvolvimento de uma família que tem sido marcada pela tragédia: o pai e o irmão de Daisy já tinham morrido há anos em dois acidentes diferentes.

A história da família ficou conhecida em 2016, quando a Netflix lançou o filme sobre a violação sexual de Daisy com apenas 14 anos, em Maryville, no Missouri. “Audrie & Daisy” mostra ainda a perseguição de que sofreu por ninguém acreditar na história. A jovem acabou por se matar aos 23 anos, depois de descobrir que não poderia ter filhos, diz o Daily Mail.

A morte da mãe, Melinda Coleman, é avançada pela SafeBae, uma organização que ajuda vítimas de abuso sexual criada por Daisy. Numa publicação do Instagram o grupo escreveu:  “A Melinda era uma veterinária talentosa e uma mãe e mulher devota. Mais do que tudo, ela adorava e acreditava nos seus filhos. Não é por acaso que criou algumas das crianças mais talentosas, apaixonadas e resilientes”.

No documentário da Netflix, Coleman conta a história de como, em 2012, com apenas 14 anos, foi violada juntamente com a sua melhor amiga Paige Parkhurst, de 13. O abuso ocorreu no dia 9 de janeiro, na cave da casa de um rapaz da sua escola, Matthew Barnett. Foi ele quem acabou por violar Daisy, tendo inicialmente sido ilibado por falta de provas.

Segundo o relatado, seria 01h00 quando as duas adolescentes saíram de casa às escondidas dos pais, a convite do anfitrião. No local estavam também outros três rapazes, amigos de Matthew. Do que a vítima se lembra, terão-lhe oferecido dois copos com álcool e perdido a memória depois disso. De acordo com Barnett, ele e Daisy envolveram-se sexualmente mas terá sido consensual. Diz ainda que a adolescente só ingeriu as bebidas alcoólicas depois.

O violador de Paige imediatamente confessou e foi condenado a prisão juvenil, mas só mais tarde é que Matthew Barnett acabou por ser condenado por colocar uma criança em risco.

Depois do crime, a vítima acabou por sofrer também de bullying e intimidações por parte da comunidade. Chegaram, inclusivé a fazer t-shirts que diziam “Matt 1: Daisy 0”. Já nas redes sociais, chamavam-na de mentirosa, vadia e prostituta. Em 2013, tiveram um incêndio na casa onde viviam, o que Melinda acredita ser sido fogo posto.

Daisy tentou suicidar-se pelo menos quatro vezes antes de ter apontado uma arma carregada à cabeça e carregado no gatilho, em agosto, enquanto falava com o namorado por videochamada.

Antes de se suicidar, a mãe Melinda publicou uma série de fotografias no Facebook com a filha. Na descrição lia-se: “Não há ‘eu amo-te’ suficientes que eu podia ter dito quando estava a segurar o teu corpo frio, débil, morto. Segurei-te como um bebé, o meu bebé. A bebé que segurei quando vieste ao mundo pela primeira vez. Foi sempre a minha maior honra e alegria ser a tua mãe e melhor amiga. Mama urso!”.

Segundo a TMZ, no dia em que ocorreu o suicídio da jovem, a mãe tinha ligado para a polícia de Denver, no Colorado, a pedir que fizessem uma ronda para verificar o seu bem-estar. Depois de falar com as autoridades e paramédicos, concluiu-se que não haveria razões para a deter por motivos de saúde mental, porque não mostrou sinais de que se queria magoar.

O pai de Daisy tinha já falecido num acidente de carro, poucos anos antes de ocorrer o abuso sexual. Em 2018, um dos seus irmãos morreu igualmente vítima de um acidente de carro. De toda esta tragédia familiar sobrevivem dois irmãos de Daisy.