Um cidadão ucraniano que foi detido por conduzir com excesso de álcool no sangue apresentou uma queixa-crime contra a PSP de Póvoa de Varzim por uso excessivo da força. Homem diz ter sido vítima de violência, racismo e xenofobia.

Este sábado, o Ministério da Administração Interna anunciou que, através de um processo administrativo da Inspeção-Geral da Administração Interna, vai acompanhar o inquérito interno que está a ser realizado pela PSP na sequência da queixa apresentada por Valery Polosenko.

O caso remonta ao dia 6 de dezembro, dia em que Polosenko, de 48 anos, foi detido na zona de Vila do Conde por estar a conduzir com 2,56 gramas de álcool por litro de sangue — um valor acima do limite a partir do qual a prática é considerada crime. De acordo com as autoridades, Polosenko já tinha antecedentes criminais por conduzir embriagado.

Homem detido por álcool apresenta queixa contra PSP

O cidadão ucraniano “tentou sair da instalação policial e reagiu de forma agressiva contra os polícias, quando foi impedido de o fazer“, disse a PSP. Por isso, Polosenko foi algemado. Já durante a madrugada, o homem foi libertado, depois de ser notificado para comparecer em tribunal — e saiu pelo seu pé da esquadra, sem ter pretendido contactar familiares ou um advogado.

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Contudo, no dia seguinte, Valery Polosenko apresentou uma denúncia contra os polícias que o tinham detido no dia anterior, alegando uso excessivo da força.

A versão de Polosenko contradiz a que foi adiantada aos meios de comunicação social pela polícia através de um comunicado.

Em declarações ao Jornal de Notícias, a advogada Alexandra Cruz, que representa o ucraniano, afirmou que os polícias que o detiveram “tiraram-lhe a carteira e o telemóvel e impediram-no de ligar ao seu habitual advogado”. Segundo a advogada, Polosenko pediu ajuda a outros polícias que se encontravam na esquadra, mas eles “faziam de conta que não ouviam as súplicas do Valery”.

Ainda de acordo com a advogada, os polícias teriam usado palavras e expressões xenófobas contra Polosenko, tendo chegado a dizer-lhe: “Vai-te embora, vai para a tua terra”.

Numa entrevista à SIC Notícias, Valery Polosenko disse que levou “chapadas e bofetadas” da parte dos polícias, que lhe partiram dentes. “Ouvi os dentes a bater, quando comecei a sentir. Quando meti lá a língua, vi logo que metade do dente já foi à vida”, descreveu Polosenko.

“Um meteu logo as algemas, puxou para cima, até achei que ele me ia deslocar os ombros. Disse: ‘Pensas que estás na tua terra? Vai para a tua terra. Tu aqui és um zé-ninguém, não vales nada’“, acrescentou o ucraniano.

Polosenko ficou com dois dentes partidos e vários ferimentos nos braços, no tórax e na boca, de acordo com observações médicas posteriores citadas pela mesma estação televisiva.

Mas também sobre a abordagem na estrada as versões da PSP e de Valery Polosenko divergem. Enquanto a polícia argumenta que o mandou parar por estar a circular com as luzes desligadas, tendo depois feito o teste do balão ao condutor, Polosenko garante que estava parado e que lhe apareceu um carro da polícia pela frente e começou “a ligar as luzinhas todas”.

Quando o senhor chegou, puxou a porta, começou a abrir e mandou-me sair do carro“, afirmou Polosenko.