Ramiro Sánchez de Lerín, o antigo homem-forte da operadora de telecomunicações espanhola, instalou-se em Portugal para beneficiar do regime fiscal que atrai fortunas europeias, escreve o jornal espanhol El Confidencial. É que o empresário recebeu uma indemnização de pelo menos 11 milhões de euros e encontrou refúgio em Portugal.

Sánchez de Lerín deixou a Telefónica em 2018  — ao fim de 16 anos como secretário-geral e secretário do conselho de administração — na sequência do escândalo de corrupção a envolver o ex-diretor-geral do FMI e antigo ministro da Economia espanhol. Rodrigo Rato foi condenado em fevereiro de 2017 pelo desvio de fundos da Caja Madrid, que agora se chama Bankia, entidade a que presidiu de 2010 a 2012. À data, a investigação indicava que Sánchez de Lerín tinha ajudado Rodrigo Rato a fugir aos impostos, através de um contrato entre o ex-diretor-geral do FMI e a Telefónica.

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Sánchez de Lerín acabaria então por deixar a operadora devido a uma reestruturação realizada pelo presidente do grupo, José María Álvarez-Pallete. Consigo, trouxe uma indemnização de 11 milhões de euros.

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O empresário segue assim o exemplo de Eduardo Taulet, outro ex-diretor da Telefónica que, no ano passado, se mudou para a Comporta, de onde preside a Lynthia, uma empresa espanhola de infraestruturas de telecomunicações, segundo recorda o El Confidencial.

Muitos ex-diretores do Banco Santander que foram demitidos pela presidente executiva do grupo, Ana Botín, também se mudaram para a Comporta. O jornal espanhol detalha que, basta comprar uma casa, lá residir por pelo menos 183 dias e ter um contrato de trabalho. Assim, pagam zero pelos rendimentos extraordinários pagos no seu país de origem, como uma indemnização, onde teriam de pagar 24% em impostos.