Quase 1,2 milhões de pessoas assinaram uma petição, esta segunda-feira entregue à Comissão Europeia, a pedir que a União Europeia impeça a entrada no mercado comum de produtos ligados à desflorestação.
A petição foi assinada por 1.193.652 pessoas, número recorde de assinaturas numa consulta pública sobre matérias ambientais, e foi esta segunda-feira entregue de forma online ao comissário Frans Timmermans, primeiro vice-Presidente da Comissão da União Europeia, e ao comissário Virginijus Sinkevicius, responsável pela pasta do Ambiente, Oceanos e Pescas.
Portugal, com 12.545 assinaturas na petição, foi o 15.º país europeu com mais signatários, anunciou esta segunda-feira em comunicado a Associação Natureza Portugal (ANP), parceira em Portugal da organização internacional World Wide Fund For Nature (WWF), uma das entidades organizadoras da iniciativa.
Os subscritores, diz-se no documento, apelam aos legisladores europeus para que criem uma lei que impeça os produtos ligados à desflorestação e à conversão de ecossistemas de chegarem ao mercado comum.
“A União Europeia tem o poder de ajudar a pôr termo à destruição das florestas mundiais, aprovando uma nova lei que coloque os produtos ligados à desflorestação fora do mercado comum”, diz Catarina Grilo, diretora de Conservação e Políticas da ANP|WWF, citada no comunicado.
A recolha de assinaturas foi feita através da campanha #Together4Forests (#Juntos pelasFlorestas) e surgiu, explica a associação, como resposta à sucessiva destruição de florestas e outros habitats em todo o mundo. Partiu da iniciativa de mais de 160 organizações não governamentais
Desde 2015 que em cada ano são destruídos 10 milhões de hectares (pouco mais do que o total do território de Portugal) destes ecossistemas, alerta a ANP, sublinhando que os países da União Europeia são responsáveis “por mais de 10% da destruição das florestas mundiais”, devido ao consumo que fazem de produtos como carne, laticínios, soja para alimentação animal, óleo de palma, borracha, café e cacau.
A campanha de recolha de assinaturas foi lançada em setembro.
Além das alterações climáticas e dos incêndios, o aumento dos terrenos agrícolas também está a destruir as florestas e outros habitats e os europeus consomem produtos resultantes dessas ações, mesmo sem o saberem.