Ao todo, serão “muitos milhares de máscaras”, compradas pela Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) a um fornecedor que as vendeu por muitos milhares de euros. Problema: o Infarmed detetou que os equipamentos não tinham “garantias de qualidade” e a ARS-Norte teve de substituir as máscaras, que chegaram a ser usadas como equipamento de proteção por profissionais de saúde em mais de 300 centros de saúde nacionais.

A notícia é avançada pelo jornal Público, que dá conta de que as máscaras não dispunham das garantias de qualidade exigidas pelo Infarmed. As máscaras faciais em questão, segundo o Público, seriam “semi-máscaras de proteção respiratórias”, chamadas FP2, que apresentam o nome de um suposto fabricante no plástico que as envolve (Shandong Zhushi Pharmaceutical Group Co., Ltd) mas que têm um problema: não cumpriram os requisitos aplicáveis e exigidos pelo Infarmed às FP2, oferecendo um nível de proteção mais reduzido e adequado a outro tipo de máscaras, as cirúrgicas.

O primeiro alerta do Infarmed à ARS Norte terá chegado a 4 de dezembro, através de um e-mail citado pelo Público que dava conta de que este era um produto “não conforme” e sem “evidência formal de conformidade que assegure a sua segurança e desempenho”. Mas foi preciso uma semana para, a 11 de dezembro, 20 dos 21 Agrupamentos de Saúde do Norte — que acolhem cerca de 375 unidades de saúde — terem ordem de “suspensão imediata de utilização” das máscaras. Estas foram posteriormente recolhidas e substituídas.

A ARS Norte não revelou a quem comprou — e por quanto comprou exatamente — as máscaras, mas de acordo com os contratos públicos escrutinados pelo Público só foram compradas máscaras a uma empresa de materiais de construção e móveis, a STREIGHTEX — sociedade que, tendo apenas cinco funcionários no final de 2019, conseguiu vender por ajuste direto mais de um milhão de euros (1.046.000) ao Estado em máscaras.

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