Realizaram-se 78.374 testes do pezinho até dezembro, menos 2.340 do que em 2019, o que significa que a natalidade em Portugal pode recuar até aos números de 2015, ano em que nasceram cerca de 85 mil crianças. De acordo com o Diário de Notícias, em novembro, 6.665 recém-nascidos fizeram o teste do pezinho, menos 378 do que em igual período de 2019. A diferença negativa tem sido uma constante na maior parte dos meses deste ano.

Outubro foi o mês onde a diferença mais se acentuou: houve menos 1.247 testes do que em 2019. O que é significativo porque desde 2018 outubro tem sido o mês com mais nascimentos, sempre mais de oito mil.

Segundo os dados obtidos pelo DN, existe uma quebra significativa na taxa de natalidade em Portugal quando comparada com 2019, mas os números atingem registos de 2015.

Nesse ano, nasceram 85.058, menos 2.519 do que em 2016. No ano seguinte, os números voltaram a descer e em 2019 subiram para 87.364 nascimentos.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Em declarações ao jornal português, o demógrafo Jorge Malheiros, afirma que em dezembro a tendência negativa vai continuar.

Num contexto de contração económica muito forte, cheio de riscos e incertezas, as pessoas retraem-se. As pessoas decidem não ter filhos em situações de incerteza.”, sublinhou o demógrafo.

Em termos geográficos, os grandes centros urbanos são os que registam mais nascimentos: Lisboa (22.925) e Porto (14.396). De seguida, aparece Braga (6.058), Setúbal (5962) e Faro (3983).

Em sentido contrário aparecem as regiões do interior onde Bragança e Portalegre registam taxas de natalidade bastante baixas, com o número de testes a ficar abaixo dos 600.

Em Bragança, a média de nascimento é de 1,44 nados-vivos por dia.

Sendo o teste do pezinho uma pequena colheita de sangue feita no pé do bebé até aos seis meses de vida, nem sempre o número de testes corresponde ao número de nascimentos.

Esta recolha de sangue é um rastreio realizado a todos os recém-nascidos no âmbito do Programa Nacional do Diagnóstico Precoce, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.