Cerca de 540 animais — javalis, gamos e veados — foram mortos numa montaria levada a cabo por 16 caçadores que ocorreu este fim de semana na Quinta da Torre Bela, na Azambuja. Os animais ficaram encurralados numa das maiores quintas muradas da Europa.

Fotos da caçada foram publicadas nas redes sociais e os autores acompanharam-nas com uma legenda que dava conta de um “super recorde” que os caçadores “conseguiram de novo”. Vários partidos e movimentos já se indignaram com o sucedido.

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É uma situação de abate indiscriminado, que é despropositado e não podemos pactuar com uma situação destas”. É assim que Silvinio Lúcio, vice-presidente da Câmara da Azambuja e vereador com o pelouro do ambiente da Câmara, descreve a situação à Rádio Observador. O também Presidente da concelhia da Azambuja do PS avançou que a situação já foi reportada à direção regional de Santarém e à ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes. E diz que o PS, apesar de ser favorável à caça, não pode permitir que situações destas aconteçam: “Não é um ato puro e simples de caça”, defende.

Em declarações ao diário digital Fundamental, Silvino Lúcio descreveu ainda mais pormenores da situação. Segundo o autarca, os animais foram “massacarados”, uma vez que não podiam fugir, pois estavam “cofinados aos muros da propriedades”.

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O Partido Animais Natureza (PAN) também já reagiu ao episódio e considera que “matar por regozijo e desporto é desumano”. O partido alerta ainda que a zona da Quinta da Torre Bela é de “grande sensibilidade ecológica” e que está “envolta em polémica”, uma vez que está prevista a “instalação de uma central fotovoltaica com 775 hectares e cujo Estudo de Impacte Ambiental (EIA) encontra-se em fase de consulta pública até 20 de janeiro de 2021”.

O caso aconteceu na Quinta da Torre Bela, na Azambuja, que possui uma “área murada com cerca de 1000 hectares” — é “uma das maiores tapadas da Europa”, lê-se no site da quinta. Os animais não conseguiram fugir do espaço circunscrito, tendo ficado encurralados no espaço.

Esta tarde, uma fonte do Ministério do Ambiente confirmou à Revista Visão que, “considerando os números de animais abatidos divulgados pela comunicação social, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) deu já início a um processo de averiguações”.

Entretanto, o ICNF já enviou uma nota à comunicação social, referindo que “não teve conhecimento prévio desta ação”, que ocorreu numa zona de caça concessionada como Zona de Caça Turística (ZTC) de Torre Bela à Sociedade Agrícola da Quinta da Visitação, SAG, Lda.

“O Plano de Ordenamento e Exploração dessa ZTC prevê a exploração do veado e do javali, pelos métodos previstos na lei, onde se incluem as montarias”, acrescenta o ICFN.

O ICFN adianta ainda que, “considerando o número de animais abatidos” divulgados pela comunicação social, iniciou um processo de averiguações junto da entidade gestora da ZCT para “apurar os factos e eventuais ilícitos nos termos da legislação em vigor”.