“Muito frustrante? Sim, muito frustrante. Mas também foi um jogo estranho de descrever. Por um lado perdemos devido a um penálti e a um autogolo e o nosso guarda-redes não fez nenhuma defesa. Por outro, também não foi um encontro onde jogássemos muito e até sofremos o primeiro golo quando estávamos no nosso melhor período da primeira parte…”. O Tottenham de José Mourinho teve um set point para passar para a frente da Premier League em Anfield frente ao Liverpool e falhou. Depois, teve outro set point para se isolar no segundo lugar na receção ao Leicester e falhou. Em quatro dias, os londrinos poderiam estar na primeira posição no Natal mas baixaram ao sexto lugar, a dois pontos do Leicester e a seis do Liverpool. E era a partir deste ponto que começava o trabalho do treinador no último jogo antes do Boxing Day, desta vez a contar para os quartos da Taça da Liga. No entanto, aquilo que dominaria todas as conversas acabou por ser… as condições dos balneários.

Penálti de VAR ao intervalo, autogolo e uma pitada do pior Aurier: a receita que azedou o Natal de Mourinho no Tottenham

“Tenho um vídeo gravado por um colega que trabalha noutra equipa que, recentemente, defrontou o Stoke City. Não deveria ser uma questão para mim mas para as autoridades. As autoridades ligadas ao futebol e as autoridades de saúde. Não vou ser eu o mau da fita que comenta o balneário dos visitantes no estádio do Stoke…”, comentou o português, já depois de, há algumas semanas, Neil Warnock, treinador do Middlesbrough, ter falado de um espaço tão mau “que nem sequer se deixariam lá animais”. “É uma autêntica pocilga”, reforçou.

Bom ou mau, melhor ou pior, era naquele espaço que José Mourinho tentaria dar mais um passo rumo à final de uma prova que conquistou por quatro ocasiões entre Chelsea (2005, 2007 e 2015) e Manchester United (2017), o que daria também mais um “argumento” para ter outra margem na reabertura de mercado depois de ter investido mais de 100 milhões no verão entre Lo Celso (que tinha cláusula de opção após empréstimo), Sergio Reguilón, Matt Doherty, Höjberg, Joe Rodon e os emprestados Gareth Bale e Carlos Vinícius – sendo que a prioridade continua a ser o reforço do eixo central defensivo, que continua a ser um problema apesar das melhorias coletivas da equipa sem bola. E foi por isso que as alterações na equipa foram muito cirúrgicas e a assumir algum risco.

Além de ter deixado de fora nomes como Aurier, Alderweireld, Reguilón, Sissoko, Ndombelé ou Son, o Tottenham deixou Höjberg e Winks no corredor central apostando no apoio mais direto de Dele Alli a Harry Kane tendo nas alas Lucas Moura e Bale. Mais do que isso, teve uma exibição limpinha para a redenção, assumindo por completo as despesas de jogo contra um Stoke City muito longe do que era há alguns anos quando estava na Premier e sem capacidade para colocar em causa um triunfo natural daquela que foi sempre a melhor equipa, apostada a juntar-se a Brentford e Manchester City nas meias (o outro apurado será Everton ou Manchester United).

Numa entrada dominadora e sem permitir uma saída sequer ao Stoke City, que mais não fez do que despejar bolas na frente num futebol direto sem resultado, Harry Kane deixou a primeira ameaça após passe de Matt Doherty para defesa de Lonergan (13′) antes do golo inaugural de Gareth Bale, parado e de cabeça a fazer um desvio muito ligeiro de cabeça após cruzamento de Harry Winks que colocou a bola no poste contrário (22′). Dele Alli ainda viu de novo o veterano Lonergan evitar o segundo antes do intervalo (43′), aproveitado por Mourinho para tirar Bale e tirar Son. No segundo tempo, e contra a corrente do jogo, Jordan Thompson ainda conseguiu fazer o empate mas o Tottenham voltou a assumir o controlo do encontro e construiu o resultado final com golo de Ben Davies, num bom remate de meia distância (70′), e Harry Kane, após recuperação e assistência de Sissoko (81′).