O Presidente do Governo dos Açores respondeu esta terça-feira à proposta da UGT de realização de uma auditoria à SATA, afirmando que “esta já é praticamente uma inevitabilidade”, e pediu a “responsabilização dos gestores públicos”.

“Esta já é praticamente uma inevitabilidade e, portanto, a própria administração, com recomendação do acionista, terá, obviamente, de prestar contas”, afirmou esta terça-feira José Manuel Bolieiro em relação à possibilidade de instaurar uma auditoria à companhia aérea açoriana.

O líder do executivo regional, de coligação PSD/CDS/PPM, falava em conferência de imprensa conjunta com o líder regional da UGT/Açores, Francisco Pimentel, que pediu “que seja feita uma auditoria, ou uma investigação, àquilo que foi a responsabilidade de sucessivos dirigentes da SATA, de sucessivos conselhos de administração da SATA”.

Para o dirigente sindical, que foi esta terça-feira recebido em audiência no Palácio de Santana, em Ponta Delgada, “aqui a culpa não pode morrer solteira e têm de ser os gestores públicos deste país responsáveis pela boa ou má gestão”.

“Não podem os trabalhadores ser sistematicamente o bode expiatório da má gestão ou de gestão danosa das empresas públicas e, neste caso, a SATA é fundamental para alavancar a economia num setor fundamental, que é o setor turístico”, prosseguiu.

José Manuel Bolieiro defendeu que é “entendimento da região, representada pelo Governo nessas matérias, saber das contas e exigir uma autonomia de responsabilização e responsabilidade aos gestores públicos”.

Este executivo irá adotar uma “atitude governativa de assegurar independência e autonomia na gestão profissionalizada do Setor Público Empresarial Regional, sem intromissão do Governo da Região Autónoma dos Açores”.

O Governo, enquanto representante do acionista Região Autónoma dos Açores, determinará as obrigações de serviço público, assegurará absoluto escrutínio relativamente ao cumprimento destas obrigações e compromisso quanto à subvenção pública que lhe compete e o obriga a estabelecer” com essas empresas, e “obviamente que também [está] disponível para o exercício de prestação de contas”.

O social-democrata demonstrou ainda a sua solidariedade para “com os trabalhadores” da companhia aérea, garantindo que o Governo “tudo fará para salvar a empresa” e para garantir a “manutenção dos empregos”.

No final do encontro entre o governante e a UGT, Francisco Pimentel reiterou a importância de olhar para a “economia de pandemia”, tomando medidas “para salvaguardas as empresas e, com isso, salvaguardar os empregos”, mas também para a economia de pós-pandemia.

Para o sindicalista, depois de ultrapassado o período crítico da crise sanitária, “é preciso apostar no desenvolvimento”, o que passa por “apostar na diversificação da economia, na criação de emprego, criação de empresas, atração de empresas e de investimento para a região”, alertando, ainda, para a importância de “recuperar o setor turístico”.

O representante regional da União Geral de Trabalhadores disse também que recebeu com “agrado o facto de o Governo ter assumido no seu programa a redução da carga fiscal”.

“Para nós, baixar o IRS até ao limite legal possível é também devolver rendimento aos trabalhadores e às suas famílias e era uma medida que urgia tomar”, afirmou.