A manchete online do jornal francês L’Équipe resume tudo em três palavras e uma vírgula: Tuchel, C’est Fini. Ou, em português, acabou-se, Tuchel. O treinador alemão foi demitido do comando técnico de futebol do Paris Saint-Germain, apesar dos resultados desportivos conseguidos nas últimas duas épocas: dois títulos de campeão consecutivos, quatro Taças internas e uma ida à final da última edição do Liga dos Campeões, embora com derrota frente ao Bayern, no Estádio da Luz em Lisboa.

A demissão do treinador germânico acontece na véspera de Natal, curiosamente um dia depois do PSG ter goleado o Strasbourg na liga de futebol francesa. A partida, disputada no Parque dos Príncipes — o estádio dos parisienses —, terminou com uma vitória por 4-0 do PSG. E deixou o clube de Neymar, Mbappé, Di María e outras estrelas do futebol internacional na terceira posição, a dois pontos do líder Lyon e a um ponto do segundo classificado, o Lille.

Paris Saint-Germain Training Session

@ Aurelien Meunier – PSG/PSG via Getty Images

A demissão não terá por base apenas os resultados da equipa, atendendo aos desempenhos desportivos dos últimos dois anos e aos desempenhos desta época — embora não passe o Natal na liderança da Ligue 1, na Liga dos Campeões, por exemplo, o PSG apurou-se este ano em primeiro lugar no seu grupo, no qual estavam o Leipzig e o Manchester United (que, ficando em terceiro, caiu para a Liga Europa).

Na base dos motivos de saída do treinador alemão do PSG poderá estar uma entrevista que Tuchel deu a um jornalista da estação alemã SPORT1, na qual o técnico admitia ser difícil manter contentes todas as estrelas do seu plantel a cada momento, lamentava que os seus bons resultados desportivos fossem desvalorizados e as derrotas fossem muito valorizadas (devido ao investimento forte no plantel de galácticos do PSG), confessava que nos primeiros seis meses em Paris sentira-se mais político ou ministro do Desporto do que treinador e comentava as “expectativas extremas” em torno do clube, lamentando que “o sentimento de apreço pelo que fazemos, em particular no campeonato, não está tão presente como está, por exemplo, num Bayern Munique [também hegemónico no seu país]”.

O treinador alemão ainda tentou emendar a mão, queixando-se de más traduções da entrevista de alemão para francês e inglês e explicando que dissera algumas das coisas com ironia, mas acabou mesmo despedido. Embora o L’Équipe garanta que a decisão estava tomada antes da revelação desta entrevista — o que sugere que pode ter sido tomada mais por resultados abaixo da expectativa do PSG na liga francesa este ano e por desavenças entre treinador e dirigentes —, o timing sugere que pode ter sido um fator importante.

Paris Saint-Germain v Bayern Munich - UEFA Champions League Final

Tuchel no Estádio da Luz, em Lisboa, durante a final da última edição da Liga dos Campeões (@ Michael Regan – UEFA/UEFA via Getty Images)

Na imprensa internacional, discute-se agora quem poderá ser o substituto de Tuchel no PSG e avança-se o interesse na contratação de Mauricio Pochettino, antigo treinador do Tottenham, clube inglês agora orientado pelo português José Mourinho.

O argentino combina vários fatores que o podem tornar um treinador apelativo para o clube parisiense: está atualmente sem clube, já esteve no PSG como futebolista (jogou no clube entre 2001 e 2003), é um técnico com experiência no futebol europeu, na Liga dos Campeões e numa das principais ligas europeias — tal como Tuchel quando foi contratado — e é tido em boa conta pelos analistas pela evolução que o futebol do Tottenham teve ao longo dos cinco anos em que foi comandado por Pochettino.

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