A Assembleia Municipal de Lisboa enviou ao Governo moçambicano um voto de pesar referente aos ataques “bárbaros” ocorridos ao longo dos últimos anos na província nortenha de Cabo Delgado, divulgou esta quinta-feira o executivo de Maputo.

“O Governo recebeu uma mensagem de voto de pesar da Assembleia Municipal de Lisboa, endereçada ao Governo e Povo moçambicano, pelos crimes hediondos praticados contra a população moçambicana”, pode ler-se num comunicado hoje divulgado pelo executivo de Maputo.

O documento transcreve parte da missiva da Assembleia Municipal lisboeta, que “manifesta à República de Moçambique, os mais sinceros votos de pesar perante a sucessão de crimes hediondos perpetrados na província de Cabo Delgado por assassinos bárbaros que tal como em muitos locais do globo, usam a bandeira do islamismo radical para justificar criminalidade organizada e violência desmedida”.

Segundo a assembleia lisboeta, “no meio da crise da pandemia, outras crises, igualmente graves, passam despercebidas desmerecendo a repulsa e a condenação a que normalmente estariam votados os atos inaceitáveis como os que chegaram aos ouvidos esta semana”.

“No norte de Moçambique, província de Cabo Delgado, grupos de assassinos motivados por fanatismo religioso que desejávamos ver relegado ao cinzeiro da História, vêm cometendo atos bárbaros em série ao longo dos últimos anos”, refere ainda a carta.

“Esta situação só vem agravar a insegurança dramática em que se encontram mais de 720 mil moçambicanos, de acordo com as informações de agências das Nações Unidas”, lê-se na mensagem da Assembleia Municipal de Lisboa partilhada hoje pelo Governo moçambicano.

A violência armada em Cabo Delgado, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, começou há três anos e está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil deslocados, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba. Algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo jihadista Estado Islâmico desde 2019.