O presidente do Vitória de Guimarães, Miguel Pinto Lisboa, afirmou esta quinta-feira que o acordo para o emblema da I Liga portuguesa de futebol adquirir a maioria da SAD foi um “grito de força e de independência”.

Numa mensagem de Natal dirigida a atletas, treinadores, funcionários e adeptos, o dirigente realçou que a compra de 56,4% das ações até agora na posse da empresa Mário Andrade Ferreira S.A., por 6,5 milhões de euros, até 31 de março de 2022, ano do centenário vitoriano, garante ao clube “total autonomia” para construir o futuro.

“Num contexto extraordinário e de generalizadas perdas de rendimento, o Vitória ousou um grito de força e de independência. Foi em 2020 que assumimos a maioria do capital da Vitória SAD, concretizando um anseio da massa associativa e garantindo ao Vitória total autonomia para a construção do caminho que projetamos para a simbólica passagem do nosso centenário”, lê-se na mensagem publicada no sítio oficial dos minhotos.

Detentor de 40% da sociedade aquando da constituição, em 10 de abril de 2013, o clube de Guimarães confirmou o acordo em 01 de outubro e passou a ter a maioria do capital em 30 de novembro, quando comprou 11% das ações por 1,3 milhões de euros, na primeira tranche de um acordo que contempla o pagamento de mais duas.

Presidente desde julho de 2019, Miguel Pinto Lisboa mostrou-se ainda convicto de que o Vitória, sétimo classificado da I Liga na época 2019/20 e quinto na temporada em curso, pode subir de “patamar” competitivo, mesmo que o caminho para lá chegar não seja “linear” nem “unânime”.

“Só uma ação e uma perseverança coletivas podem elevar-nos ao patamar que ambicionamos para o Vitória. É um caminho que tem de ser percorrido e para o qual contamos com todos os vitorianos, sem qualquer pretensão quanto a consensos, mas com a firme convicção de que, na hora da batalha, todos diremos ‘presente'”, lê-se.

Ciente de que o mundo vive um “tempo atípico” e que só uma pandemia como a covid-19 poderia retirar o público dos estádios, como se verifica na I Liga portuguesa desde junho, salvo exceções em setembro e outubro, o dirigente assumiu o desejo de rever estádios e pavilhões desportivos com público em 2021.

“Futebol e desporto sem público são uma contradição absoluta, só entendível perante uma pandemia. Não a subestimando, tem de ser uma prioridade geral que, em 2021, os estádios e os pavilhões voltem a ter vida, devolvendo ao desporto a sua razão de ser e aos clubes o alimento da sua subsistência”, defendeu.

Para o líder vitoriano, a pandemia causada pelo novo coronavírus mostrou ainda que as “maiores provações” só podem ser superadas enquanto “prevalecer a noção de comunidade”, tendo enaltecido as ações de cariz social lançadas pelo clube – entregou bens ao domicílio a sócios com mais de 70 anos e doou material de proteção ao hospital local, por exemplo.

“O Vitória e os seus sócios e adeptos podem orgulhar-se de terem compreendido e interpretado o seu papel social. Foram várias as ocasiões em que promovemos ações concretas em prol do coletivo, fosse contribuindo para as mais absolutas urgências, fosse agindo para mitigar as desigualdades já existentes. Se houve algo que o ano de 2020 deixou evidente é que a entreajuda comunitária supera desafios”, reitera.

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