Vestida de roxo e, ao contrário dos vários rostos emoldurados que a costumam ladear, acompanhada apenas pelo retrato do marido, a única companhia que teve neste Natal atípico, passado pelo casal no castelo de Windsor. Um cenário comum nesta quadra a muitas outras famílias britânicas, marcadas pelas medidas de restrição em ano de Covid-19. E no entanto, a vida “tem que continuar”, sublinhou Isabel II na tradicional mensagem de Natal dirigida ao país, este ano excecionalmente gravada a partir da Sala Verde do referido castelo.

Aos 94 anos, a monarca elogiou os cientistas por permitirem ao Reino Unido “uma esperança num novo dia”, louvou “as conquistas da ciência moderna” e prestou um tributo especial aos profissionais de saúde, evocando referências de outros tempos como Mary Seacole e Florence Nightingale, que “lançaram uma luz de esperança sobre o mundo”, da mesma forma que médicos e enfermeiros dos nossos dias o farão — “temos para com eles uma dívida de gratidão”.

Isabel II manifestou ainda o seu orgulho pela “tranquila e o espírito indómito” com que a nação respondeu à pandemia, no desfecho de um ano devastador. Numa nota mais emotiva, a rainha, que pela primeira vez em 33 anos passa a quadra isolada, longe da família alargada, recordou todos aqueles que sofreram perdas neste ano.

“Claro que para muitos fica marcado pela tristeza: alguns chorando a morte dos seus, outros com saudades dos amigos e família distantes por razões de segurança, quando tudo o que mais queriam neste Natal era um simples abraço ou um aperto de mão”, apontou. “Se é um destes, não está sozinho, e garanto-lhe que o trago no meu pensamento e orações”.