Depois de um início competente com nove pontos em quatro jogos, o Arsenal perdeu com o Manchester City e com o Leicester, adversários diretos nos lugares cimeiros da classificação. Mikel Arteta pediu uma rápida redenção aos desaires pela margem mínima e a mesma surgiu no Teatro dos Sonhos, com um triunfo em Old Trafford frente ao Manchester United que parecia recolocar a equipa no trilho dos bons resultados naquela que era uma temporada muito aguardada não tanto pelo potencial do plantel em comparação com outras equipas da Premier League mas sim pela consolidação do trabalho do basco no clube após ter deixado o papel de número 2 de Pep Guardiola. Esse jogo foi a 1 de novembro. Daí para a frente, na Premier League, levava cinco derrotas e dois empates.

Arteta só quer lutadores. Mas continua a ser a grande vítima da própria teoria (ou como o Man. City eliminou o Arsenal da Taça da Liga)

Um exemplo prático do momento que os gunners atravessam e que, não fosse a fase de grupos da Liga Europa, faria com que a equipa não ganhasse há quase dois meses. Apesar da má carreira no Campeonato, Arteta ganhara uma final da Taça de Inglaterra no final da última época e uma Supertaça no arranque da nova temporada, dois títulos a que o clube já não estava habituado e que mostravam que nas provas a eliminar a história era diferente. “Gosto de olhar à minha volta e ver lutadores. Normalmente, quando estas coisas acontecem, tens dois tipos de pessoas: lutadores e vítimas. Só precisas dos lutadores, não queres vítimas”, dizia Arteta no lançamento do jogo dos quartos da Taça da Liga diante do Manchester City. “O ambiente é tão bom quanto possível. Todos estão preocupados e sofrer neste momento porque queremos muito mais. A união está cá. Mas há 100% de união à volta do clube? É impossível em qualquer clube, mesmo quando ganhas”, acrescentou. No final, nova derrota e por 4-1.

Além de ter valido a eliminação das meias da prova, o desaire teve esse significado paralelo: no momento crítico, na altura limite, a equipa não respondeu. Pior do que isso, não mostrou argumentos nem vontade especial para dar a volta perante um City mais forte mas que também não chegou ainda ao nível dos últimos três anos. “Todos os treinadores são julgados pelos resultados. O Mikel sabe defender-se. Tudo o que posso dizer é que estive com ele durante um longo período, o período de maiores conquistas na história do City, e não teríamos o sucesso que tivemos sem ele. Aprendi muito com ele. Às vezes no nosso trabalho precisamos de tempo”, destacou Guardiola esta semana, depois da derrota que aumentou ainda mais os rumores de uma possível saída de Arteta.

Seguia-se neste Boxing Day o Chelsea. Um dérbi londrino que outrora chegou a ser o que discutia a liderança da Premier League mas que está longe desses tempos áureos. Ainda assim, os blues, que tinham perdido fora frente a Everton e Wolverhampton, ocupavam o quinto lugar no início da jornada, a dois pontos do segundo lugar e a seis do líder Liverpool, sinal de que os reforços que vieram para Stamford Bridge podem precisar de tempo mas são realmente mais valias que melhoraram e muito a qualidade da equipa. Já o Arsenal, em 15.º com apenas quatro vitórias e oito derrotas em 14 jogos, corria o risco de terminar a jornada com um ponto de avanço sobre a linha de despromoção, o que mostrava bem a campanha para esquecer dos gunners até ao momento.

Por gestão, opção ou necessidade, Arteta fez algumas mexidas na equipa, voltou à linha de quatro defesas e deixou no banco habituais titulares como Aubameyang, Pepé, Dani Ceballos, Maitland-Niles ou Mustafi. Arriscou mas ganhou essa aposta logo na primeira parte: apesar de Leno e Mendy não terem feito uma única defesa com apenas dois remates enquadrados das equipas, o Arsenal chegou ao 2-0 com um penálti de Lacazette (34′) e um livre direto com fantástica execução de Granit Xhaka (44′) numa vantagem que não tinha feito para justificar mas que premiava a melhoria coletiva da equipa, sem grande brilho técnico mas mais sólida e solidária do que nos últimos jogos da Premier League frente a um Chelsea onde os grandes nomes continuam sem fazer um verdadeiro coletivo.

No segundo tempo, Frank Lampard abdicou de Kovacic e Timo Werner, lançou Jordinho e Hudson-Odoi, encostou o Arsenal ao seu meio-campo mesmo sem criar oportunidades e viu Bukayo Saka fazer mais um grande golo (neste caso com um toque de fortuna à mistura) logo aos 58′, em mais uma saída em transição conduzida por Granit Xhaka que passou pelo corredor direito até ao cruzamento/remate do internacional inglês, num momento que partiu de vez o encontro e onde Martinelli teve duas oportunidades com muito perigo, num pontapé de bicicleta e num remate na passada que foram travados pelo guarda-redes Mendy (60′ e 63′). Tammy Abraham, a cinco minutos do final, ainda reduziu antes de Leno travar um penálti de Jorginho e “fechar” o jogo (90+1′).