A partir do seu isolamento profilático preventivo em São Bento, o primeiro-ministro tweetou para assinalar um dia que coloca entre os que “ficarão para sempre nas nossas memórias”. É o dia 1 da vacinação em Portugal, que teve a ministra da Saúde como a única protagonista do Governo no terreno neste domingo e também no sábado, a mostrar ao país o primeiro frasco com os 0,3 mililitros da poção mágica do momento: uma dose da vacina contra a Covid-19 que parou o mundo neste 2020.

Ao mesmo tempo que na mensagem política seguia a “esperança”, tanto o primeiro-ministro como Marta Temido a dosearam sempre com a necessidade de manter as regras sanitárias nos próximos tempos porque o caminho ainda é longo. Nas palavras de António Costa, o processo de vacinação vai ocupar o país “durante meses” — a terceira fase, que diz respeito à generalidade da população, só arrancará em abril, segundo o calendário do Governo — e isso “obriga a manter todo os cuidados” no entretanto, escreveu no Twitter.

Com o primeiro-ministro fechado em São Bento desde o dia 17 de dezembro, coube à ministra da Saúde fazer as honras numa ronda a Norte que a levou ao momento zero, aquele em que o infecciologista António Sarmento foi vacinado no Hospital de São João, no Porto, ao Hospital de Santo António na mesma cidade e, mais tarde, ao Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Em cada momento, Marta Temido foi deixando mensagens para grupos diferentes.

A primeira, no São João, foi para os portugueses em geral, com a ministra a marcar o “momento de esperança e agradecimento”, sim, mas também a avisar que “o inverno ainda mal começou”, pelo que enquanto a vacina não chegar a todos, é preciso “manter a união e a capacidade de trabalhar em conjunto”. Foi ali que foi questionada pelo jornalistas sobre a razão para não fazer como noutros países da União Europeia (e até os Açores) e colocar no primeiro grupo os idosos que estão em lares, já que estas instituições estiveram no centro de vários surtos com efeitos trágicos para os utentes (que fazem parte da população de risco nesta pandemia). Marta Temido disse que foi “uma escolha pragmática num momento que é apenas um primeiro momento de uma fase”.

Mas deixou logo a garantia de vacinar os idosos que estão em estruturas residenciais já em janeiro, assim que chegue a nova leva de vacina que está prevista para esta segunda-feira. Também destacou o trabalho dos profissionais de saúde no combate à pandemia: “Se chegámos até aqui foi porque caminhámos juntos”. E ainda o esforço europeu para encomendar e concertar um dia para o arranque da vacinação.

No Hospital de Santo António, também no Porto, a ministra falou na forma “tranquila” e com “alegria genuína” como decorria, até ao momento, o processo de vacinação nas duas unidades que visitara. E depois foi para Coimbra onde a intervenção foi mais centrada no esforço de todos os profissionais que tornaram possível que em tão curto espaço de tempo houvesse uma vacina pronta a administrar, desde as entidades envolvidas na aprovação da vacina as autoridades policiais que garantiram que o transporte até ao armazém e aos hospitais decorresse sem sobressaltos.

A ministra de Saúde recordou também que até 29 de dezembro, a próxima terça-feira, Portugal receberá perto de 80 mil doses de vacinas, 70.200 das quais chegarão na segunda-feira. Também explicou que parte será transferida para os Açores e Madeira, outra será distribuída pelos hospitais e alguns milhares de frascos serão guardados em reserva para garantir a capacidade para a segunda dosagem. O caminho ainda é longo até ao tal fundo do túnel onde está a luz.