Quem entra na página inicial do site dos Escuteiros Americanos, Boys Scouts of America não imagina que até há três anos a organização aceitava apenas rapazes como membros. A mudança deu-se em 2018 e passou também pelo nome que mudou para Scouts BSA, mas marcou também o inicio de um conflito nos tribunais com a concorrente feminina. As Girls Scouts (Raparigas Escoteiras) acusam a organização de promover uma política de recrutamento que a prejudica devido ao uso de mensagens que procuram confundir os pais das aspirantes a escuteiras.

A direção dos Escuteiros americanos aprovou por unanimidade a abertura da organização centenária a todas as crianças em outubro de 2017. Esta decisão histórica foi logo contestada pela Escuteiras que acusaram a primeira organização de ter como objetivo lançar uma campanha encoberta para recrutar raparigas e assim travar o declínio do número de associados. Os Escuteiros terão 2,3 milhões de membros nos Estados Unidos, o que representa a perda de um terço dos seus associados desde o início do século. Já as Escuteiras contam com 1,7 milhões de membros.

Os advogados da Girls Scouts of the USA, citados pela BBC, acusam os Boys Scouts de promoverem uma campanha para atrair novas associadas que transmite informação enganadora aos país para os convencer a inscrever as filhas nos Boys Scouts, pensado que estão a fazê-lo nas Girls Scouts. Os Escuteiros respondem, acusando a organização concorrente de ter declarado uma guerra.

Imagens das atividades que estão à disposição dos escuteiros e escuteiras

Desde que os escuteiros originais deixaram cair a expressão Boys (rapazes) do seu programa de recrutamento em 2018 que as Escuteiras vieram a público questionar as intenções da organização, avisando que a mudança ia prejudicar a sua marca. As Escuteiras colocaram uma ação judicial em novembro de 2018 por violação de marca registada. No passado mês, os advogados que representam os Escuteiros pediram ao juiz para deixar cair o processo judicial, o qual sugere que a organização ficaria impedida de usar expressão alusivas a escuteiros para conquistar aderentes femininas.

Na documentação que apresentaram no tribunal federal de Manhattan na véspera de Natal, as Escuteiras descreveram o novo programa de recrutamento como sendo altamente danoso para a sua organização por ter causado uma “explosão de confusão” junto dos pais, ao associar os Escuteiros com as Escuteiras, um comportamento que dizem conseguir provar. Em comunicado, os Escuteiros afirmam que esta alegação não está apenas incorreta — porque ainda não foi legalmente demonstrado — mas também desvaloriza a opção por mais de 120 mil raparigas que já entraram no Club Scouts ou no Scouts BSA.