Ao European New Car Assessement Programme (Euro NCAP) cabe analisar os veículos automóveis que se comercializam nos diferentes mercados europeus. Agora, o consórcio saiu um pouco da sua zona de conforto e debruçou-se sobre os furgões comerciais, nada menos do que 21 modelos, não para realizar crash-tests que analisem a forma como se deformam em caso de embate forte, mas sim para avaliar os sistemas que possuem para ajudar o condutor a evitar acidentes.

Os furgões, sejam eles comerciais ou de passageiros, são veículos que partilham a via pública com os restantes meios de transporte, o que os expõe ao mesmo tipo de situações que podem conduzir a acidentes, mais ou menos graves. O Euro NCAP analisa todos os veículos à venda no continente europeu, não só testando a forma como a sua carroçaria se deforma em caso de embate violento, para evitar que os ocupantes sejam sujeitos a esforços demasiado elevados que possam conduzir a ferimentos graves, como verificando (e valorizando) os sistema electrónicos de ajuda à condução destinados a evitar despistes, embates e atropelamentos.

Dos 21 furgões, quatro são Citroën, com a VW, Renault, Peugeot, Opel, Mercedes, Ford e Fiat a serem representadas por dois modelos, ficando a Toyota, Nissan e Iveco com apenas um veículo. Em todos eles foi colocado à prova o funcionamento de sistemas como a travagem de emergência, que trava para evitar o embate no carro da frente mesmo quando o condutor está distraído, o dispositivo que evita o atropelamento de peões e ciclistas e a tecnologia que mantém o veículo na sua faixa de rodagem, além de sistemas que ajudem a respeitar o limite de velocidade, determinar o nível de atenção do condutor e a utilização dos cintos de segurança.

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A presença destas soluções – que a maioria dos automóveis utilitários já inclui – é valorizada pelos responsáveis do Euro NCAP, caso estes sistemas estejam incluídos no equipamento com que o furgão é fornecido de série. De realçar que todas as marcas não só possuem estes dispositivos, como os integram de série em automóveis ligeiros de passageiros, mesmo os mais baratos, pelo que só por motivos relacionados com os custos (e porque o mercado tão pouco o exige) não estão presentes em alguns destes veículos comerciais.

Mas o objectivo claro do Euro NCAP é chamar a atenção e não só estimular o grau de exigência dos consumidores, como levar os fabricantes a não querer associar a sua marca à venda de veículos com um menor nível de segurança. Mesmo se isto resultar num ligeiro incremento do preço dos furgões, devido ao reforço do equipamento de segurança.

Veja na galeria acima a classificação obtida por cada um dos 21 furgões, sabendo que se uns obtiveram 65% no desempenho dos seus sistemas de segurança e ajuda à condução, outros ficaram-se por apenas 5%. A três dos modelos foi atribuída a classificação “ouro”, a cinco “prata” e a oito “bronze”, com os restantes cinco furgões a serem classificados como “não recomendados”. E esta avaliação não depende da marca, sendo de destacar que o mesmo construtor atinge num dos veículos testados uma classificação de 42% para, num outro modelo, alcançar apenas 7%, o que se explica pela necessidade de ser competitivo e conseguir uma maior redução no preço de venda ao incluir menos equipamento de segurança.

Com este alerta do Euro NCAP, é expectável que os fabricantes comecem a reforçar o equipamento dos seus furgões, à semelhança do que aconteceu com os automóveis ligeiros mais baratos nos últimos anos.