O Brasil, terceiro país com mais casos contabilizados do novo coronavírus, ainda não começou a vacinação à Covid-19. Jair Bolsonaro culpou esta segunda-feira os fabricantes de vacinas por ainda não terem requerido a utilização de emergência do imunizante à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Brasil tem 210 milhões de habitantes. Um mercado consumidor, de qualquer coisa, enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que eles não apresentam documentação na Anvisa? […] Se eu sou vendedor, eu quero apresentar”, defendeu o Presidente brasileiro a um pequeno grupo de apoiantes que cumprimentou na porta do Palácio da Alvorada, ao que dá conta a imprensa brasileira.

Bolsonaro defende que a vacinação não pode ser feita “a correr” e diz que não pode pressionar a Anvisa para aprovar o imunizante mais cedo: “Certas coisas não pode ser a correr, está-se a mexer com a vida do próximo”.

O Presidente brasileiro lembrou que o seu governo já decidiu destinar a verba de 20 mil milhões de reais (cerca de 3,1 mil milhões de euros) para a compra de vacinas, das quais ainda não tem doses, mas está em negociação com os laboratórios Pfizer, AstraZeneca-Oxford, Moderna, Janssen e Bharat Biotech.

Para além disso, o Presidente do Brasil sugere que quem contraiu e superou a doença não deve ser vacinado: “Quem já foi infetado, como eu, tem de se vacinar? Isso é impressionante”.

O governo brasileiro prevê o plano de vacinação ao novo coronavírus no final de fevereiro ou março.

Supremo Tribunal Federal ‘reservou’ a vacina… Mas afinal não tinha sido bem assim

O Presidente do Supremo Tribunal Federal (SPF) do Brasil, Luiz Fux, afastou esta segunda-feira Marco Polo Dias Freitas do cargo de secretário de Serviços Integradas da Saúde da Corte.

Em causa, está o pedido do secretário para que houvesse uma reserva de 7 mil vacinas para a Covid-19 à Fundação Oswaldo Cruz para os funcionários do Supremo Tribunal serem vacinados antecipadamente. Isto sem o alegado consentimento do Presidente do SPF, que diz ser “contra privilégios”, revela o Globo.

Marco Polo Dias Freitas assegurou à Fiocruz, empresa que produz vacinas, que a reserva do imunizante colaborava com a “Política Nacional de Imunização” e que permitiria destinar “equipamentos públicos de saúde para outras pessoas”. Mas a Fiocruz rejeitou a proposta, dado não possuir autonomia para alocar vacinas para grupos específicos.

Isto parece ser um volte-face às declarações iniciais de Luiz Fux, que terá estado a favor do pedido de reserva, uma vez ter dito, em entrevista, que era necessário vacinar antecipadamente os membros das instituições fundamentais do Estado.