O candidato presidencial João Ferreira justificou esta segunda-feira os 450 mil euros de orçamento previstos para a sua campanha, o valor mais alto de entre todos os candidatos, como um “sinal de valorização” destas eleições.

“É um sinal da valorização que fazemos deste ato eleitoral e da necessidade de ele não passar ao lado dos portugueses”, disse à agência Lusa João Ferreira, em Beja, quando questionado sobre o valor global do orçamento de campanha.

O candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP falava à Lusa após uma reunião com a administração da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), no âmbito da pré-campanha para as presidenciais agendadas para 24 de janeiro de 2021.

Segundo João Ferreira, os 450 mil euros previstos para a sua campanha são o “valor máximo fixado” e correspondem a contas “bem feitas”. O montante fica “próximo da metade” do valor estimado pela candidatura presidencial apoiada pelo PCP em 2015, protagonizada pelo dirigente madeirense Edgar Silva, acrescentou. Além do mais, disse, esta é “uma estimativa que não deve ser ultrapassada” no final da campanha.

“Como sempre acontece, os gastos são controlados e mesmo este valor que agora é fixado não quer dizer que necessariamente seja atingido”, frisou.

Para João Ferreira, o orçamento “traduz as características” da sua candidatura, “que não encara os cidadãos como uns meros espetadores da campanha eleitoral”. “Queremos que [os cidadãos] sejam parte ativa numa campanha que queremos que seja feita de esclarecimento, de informação, de mobilização e que tem de percorrer o país”, assegurou.

João Ferreira vincou igualmente entender “que estas eleições não podem passar ao lado dos portugueses”, o que exige levar “a campanha eleitoral e o esforço de informação, esclarecimento e mobilização que necessariamente lhe está associada a todo o país”.

O candidato presidencial comunista dedicou o esta esta segunda-feira “às questões da água e do ambiente” no distrito de Beja, onde se verificaram, nos últimos anos, “transformações muito significativas” no que tem sido “o uso da terra” e no “tipo de paisagem”, devido ao empreendimento do Alqueva.

Há, de facto, transformações muito profundas e uma evolução da realidade que suscita algumas preocupações, tendo em conta até os desígnios que a Constituição da República fixa para o que deve ser a política agrícola”, disse João Ferreira.

Na opinião do candidato, é necessário que o Alqueva dê um “contributo mais efetivo” para o desenvolvimento da região e que, “desse aumento da produção, resultem benefícios” para os agricultores, “gerindo bem recursos naturais como a água e o solo”. João Ferreira criticou ainda “o caminho” que se tem seguido na zona do Alqueva, onde se regista “um fenómeno de concentração da propriedade e uso da terra”. “Isso vai de alguma forma contra aquele caminho que a Constituição aponta”, concluiu.

Além da reunião na EDIA, João Ferreira deslocou-se ao concelho de Serpa, para reuniões com representantes do movimento “Chão Nosso” e com agricultores.

João Ferreira quer mais medidas para retoma da normalidade além da vacina

O candidato presidencial João Ferreira considerou esta segunda-feira “muito importante” o arranque da campanha de vacinação em Portugal contra a Covid-19, mas defendeu mais medidas que permitam a “retoma da vida económica, social e cultural”.

“A vacina é muito importante, mas, até porque sabemos que infelizmente a vacinação não vai estar concluída no curto prazo”, são necessárias “outras medidas de proteção da saúde”, defendeu o candidato às eleições presidenciais apoiado pelo PCP. Medidas essas “que permitam, ao mesmo tempo, o restabelecimento da vida económica, da vida social” e “da vida cultural e desportiva” no país, acrescentou, em Beja, o mesmo candidato a Belém.

Segundo João Ferreira, neste momento, “é fundamental” assegurar que a campanha de vacinação contra a Covid-19 “decorre de molde a que todos possam ter acesso às vacinas”. Ainda assim, sublinhou, não se pode fazer depender “a necessária retoma da vida económica, social e cultural” no país apenas da vacinação. “Ou seja, a par da vacina são necessárias também outras medidas que permitam ir caminhando no sentido da desejável normalização da vida coletiva” em Portugal, “adaptando o funcionamento daquilo que tiver de ser adaptado”, frisou.