O presidente da Comissão da Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte defendeu esta segunda-feira que é o momento de “aprofundar” a relação com a Galiza, salientando que o “futuro” constrói-se num quadro de cooperação alargada.

“Achamos que é o momento de aprofundar esta cooperação, mas aprofundá-la com uma renovada ambição, porque os desafios também são maiores e certamente que o futuro constrói-se num quadro de cooperação alargada”, afirmou António Cunha.

O dirigente reuniu esta segunda-feira, em Santiago de Compostela, com o presidente da Xunta de Galicia, Alberto Núñez Feijóo, com o objetivo de reativar a cooperação entre as duas regiões, através da Comunidade de Trabalho Galicia – Norte de Portugal e do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial da Eurorregião.

Criada em 1991, a Comunidade de Trabalho Galicia — Norte de Portugal não reunia presencialmente desde maio de 2017.

Naquele que foi o seu primeiro encontro oficial, o presidente da Comissão da Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) salientou que, num momento em que as duas regiões celebram 30 anos de trabalho conjunto, é importante reforçar os laços na eurorregião face aos desafios com que a Europa e o Mundo estão confrontados.

Para António Cunha, são muitas as áreas em que as duas regiões podem beneficiar com o aprofundamento da cooperação, num contexto onde a economia tem de ser capaz de responder aos desafios demográficos, do envelhecimento, da digitalização e ambientais.

Sendo uma eurorregião mais forte, estaremos melhor preparados para os desafios que temos pela frente. Do meu lado, depois do que aqui falamos e com agenda que combinamos trabalhar nos próximos anos, saio com uma renovada esperança nesta cooperação que já deu muitos frutos e que certamente dará no futuro”, rematou.

Em resposta aos jornalistas, o dirigente referiu ainda que, nesta primeira reunião, foram identificados projetos de interesse comum às duas regiões, cujos instrumentos de financiamento serão mais tarde apurados, como é o caso do projeto da ligação de alta velocidade Porto Vigo cuja execução irá para além 2026, ano limite para aplicação dos fundos de recuperação e resiliência da União Europeia.

Escusando adiantar qual seria o montante de financiamento necessário para executar os projetos que a eurorregião considera prioritários, o presidente da CCDR-N indicou apenas que os compromissos esta segunda-feira assumidos com a Galiza serão defendidos pela comissão junto do Governo português.

Os dois dirigentes discutiram ainda o financiamento no novo ciclo de apoios da União Europeia e o Plano de Investimentos Conjuntos da Eurorregião para o período 2021-2027, em consulta pública até 22 de janeiro.

O documento prioriza e antecipa iniciativas e projetos de cooperação transfronteiriça a implementar no próximo quadro comunitário, desde a inovação, à digitalização ou internacionalização como instrumentos de criação de emprego de melhor qualidade, entres outros.

A Eurorregião Galicia-Norte de Portugal tem como estrutura institucional para a sua governança a Comunidade de Trabalho, pioneira na península em cooperação transfronteiriça.