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Para Rafa, o artista da bola, a nota artística continua a ser importante (a crónica do Benfica-Portimonense)

Jesus disse que a nota artística, sem adeptos, não interessa. Mas Rafa pensa o contrário: marcou e assistiu e deu a vitória ao Benfica num jogo onde os encarnados só jogaram até ao intervalo.

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O internacional português foi o melhor da equipa de Jorge Jesus contra o Portimonense

Getty Images

O internacional português foi o melhor da equipa de Jorge Jesus contra o Portimonense

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Não foi uma semana fácil para os lados da Luz. Ou melhor: não foi um Natal fácil para os lados da Luz. A derrota na Supertaça, às mãos do FC Porto, parece não ter passado incólume em todos os setores do Benfica, desde o plantel à direção, e a reação mais intempestiva de Luisão logo depois do apito final poderá até ter sido apenas a ponta do icebergue.

Esta segunda-feira, o jornal Record garantia que Jorge Jesus foi convocado para duas reuniões separadas logo depois das folgas de Natal — uma com o vice-presidente, Rui Costa, outra com o presidente, Luís Filipe Vieira. O tema em cima da mesa era simples: a junção da derrota na Supertaça às exibições sofríveis do Benfica nos últimos jogos, passando até pela desvalorização do título perdido para o principal rival que o treinador fez na conferência de imprensa depois da partida. Isto, aliado então ao raspanete que Luisão pareceu ter dado aos jogadores ainda no relvado do Estádio Municipal de Aveiro, deixava livre para interpretação um aparente mau estar entre a estrutura encarnada. Algo que o Benfica se apressou a desmentir.

Ficha de jogo

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Benfica-Portimonense, 2-1

11.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Tiago Martins (AF Lisboa)

Benfica: Vlachodimos, Gilberto, Otamendi, Vertonghen, Grimaldo (Nuno Tavares, 79′), Rafa (Samaris, 90+5′), Weigl, Taarabt (Ferro, 90+5′), Everton (Cervi, 79′), Waldschmidt (Pedrinho, 59′), Darwin Núñez

Suplentes não utilizados: Helton Leite, Diogo Gonçalves, Chiquinho, Ferreyra

Treinador: Jorge Jesus

Portimonense: Samuel, Moufi, Maurício, Lucas Possignolo, Willyan, Anzai (Henrique, 86′), Luquinha, Fali Candé (Anderson, 45′), Aylton Boa Morte (Júlio César, 69′), Dener (Vaz Tê, 86′), Fabrício (Beto, 45′)

Suplentes não utilizados: Ricardo, Lucas Tagliapietra, Casagrande, Fernando

Treinador: Paulo Sérgio

Golos: Darwin (13′), Rafa (23′), Gilberto (ag, 90+2′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Fali Candé (30′), a Willyan (34′), a Otamendi (38′), a Moufi (54′), a Waldschmidt (59′), a Beto (77′), a Taarabt (90+5′)

“A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD vem desmentir a realização de qualquer reunião do Presidente Luís Filipe Vieira e do administrador Rui Costa com o treinador Jorge Jesus no dia do regresso aos treinos após o jogo da Supertaça, a que o ‘Record’ alude e dá destaque na edição de hoje [segunda-feira]. É uma notícia falsa, como também é falsa a existência de qualquer mal-estar entre a administração desta Sociedade com a equipa técnica, bem como com o restante grupo de trabalho. A equipa do Sport Lisboa e Benfica está focada e totalmente concentrada na preparação do jogo de amanhã com o Portimonense”, explicou o clube, num comunicado emitido durante a manhã desta segunda-feira, a que se seguiu a conferência de imprensa de antevisão de Jorge Jesus à receção ao Portimonense. Uma conferência de imprensa onde o treinador acabou por resolver a única ponta solta: a reação de Luisão depois da Supertaça.

“Na Supertaça, só sei uma coisa, é que perdemos com o FC Porto e dói muito. Isto é factual. Tudo o que queiram implantar, escrever, têm todo o direito. Todos os dias, eu, o Rui Costa e o presidente temos conversas sobre o Benfica, cada um sabe o que tem de fazer. O Luisão foi para o banco porque o Rui Costa entendeu que naquele jogo, sem o Tiago, devia ir. Se estiver tudo normal, se não tiver Covid, o Luisão amanhã vai para o banco”, garantiu Jesus, dissipando rumores sobre um eventual desentendimento com o antigo capitão do Benfica.

Ora, pelo meio, os encarnados têm nas mãos um surto de Covid-19. Depois de Pizzi e do diretor-geral Tiago Pinto, que testaram positivo ainda antes do jogo da Supertaça, também Gonçalo Ramos e Jardel souberam que estavam infetados já depois da derrota com o FC Porto. Esta segunda-feira, na véspera da receção ao Portimonense, foi a vez de Seferovic e João Ferreira também testarem positivo, alargando para cinco o número de jogadores infetados no plantel do Benfica. Assim, a equipa de Jorge Jesus recebia o último classificado — naquele que era o último jogo do ano civil de 2020 — com cinco baixas confirmadas e com a certeza de que era obrigatório ganhar para voltar a ter apenas dois pontos de desvantagem para o líder Sporting e para descolar novamente do Sp. Braga, já que ambas as equipas já tinham vencido Belenenses SAD e Boavista esta jornada.

Contra os algarvios, o treinador encarnado não fazia qualquer alteração e apresentava exatamente o mesmo onze que perdeu a Supertaça para o FC Porto — com Weigl e Taarabt no meio-campo, Rafa e Everton mais perto das alas e Darwin e Waldschmidt na frente de ataque. Todibo, o central emprestado pelo Barcelona que ainda não se estreou, ainda foi convocado, face às ausências que a Covid-19 provocou, mas não marcava presença no banco de suplentes. O Benfica entrou muito bem na partida e rematou logo nos primeiros instantes, por intermédio de Waldschmidt, que atirou à figura de Samuel (2′). Depressa se percebeu que a lógica do ataque encarnado seria a habitual: o avançado alemão faria a ligação com o meio-campo, ficando sempre uns metros mais recuado e pronto para responder a triangulações, e Darwin era a referência ofensiva destacada.

Nas alas, os laterais do Portimonense iam tendo muitas dificuldades para travar as investidas do Benfica: tanto Candé, na esquerda, como Moufi, na direita, eram obrigados a estar atentos às entradas de Rafa e Everton por espaços mais interiores sem descurar as costas, onde Grimaldo e Gilberto surgiam nos corredores. A primeira grande aproximação da equipa de Jorge Jesus à baliza de Samuel acabou sem remate, já que Darwin se atrapalhou e não conseguiu finalizar a jogada (13′), mas foi um exemplo do tipo de movimentações que acabariam por abrir o marcador. Numa fase em que o Portimonense parecia até já ter afastado ligeiramente o sufoco inicial, Weigl recuperou uma bola ainda no meio-campo encarnado e Rafa, no corredor central, combinou de primeira e de calcanhar com Waldschmidt. O alemão devolveu ao internacional português, que apareceu mais à frente e assistiu Darwin já na grande área, com o uruguaio a precisar apenas de encostar (13′).

O golo sofrido provocou uma ténue reação do Portimonense, que chegou ao primeiro remate através de um pontapé de fora de área de Luquinhas (19′), mas o Benfica não precisou de muito tempo para aumentar a vantagem. Noutra jogada de enorme envolvimento do ataque encarnado, Rafa acelerou da direita para o centro, combinou com Darwin que respondeu de calcanhar e beneficiou de uma série de ressaltos — e de manifesta passividade da defesa algarvia — para fazer o segundo golo do jogo (23′). Depois do segundo golo, o Benfica poderia ter chegado rapidamente ao terceiro, com um remate por cima de Taarabt (28′) e um livre direto de Grimaldo que Samuel afastou (37′) mas o resultado não voltou a alterar-se ao intervalo.

Os últimos instantes da primeira parte foram disputados aos repelões, entre faltas, paragens e cartões amarelos, e a verdade é que o Benfica permitiu algum espaço ao Portimonense. A equipa de Paulo Sérgio agradeceu e estendeu-se no relvado, ocupando terrenos mais subidos e terminando o primeiro tempo a dividir o jogo com o Benfica. A melhor oportunidade dos algarvios foi um livre direto de Lucas Possignolo, que foi direitinho à malha lateral da baliza de Vlachodimos (42′), mas ficava a ideia de que o Portimonense, com mais uns metros para construir e criar, podia fazer estragos no meio-campo adversário. Do outro lado, o principal apontamento era a exibição de Rafa, que marcou e assistiu e ia destruindo a defesa algarvia com as movimentações que desenhava na direita para a faixa central.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Benfica-Portimonense:]

Na segunda parte, Paulo Sérgio fez duas alterações logo ao intervalo, ao trocar Candé e Fabrício por Anderson e Beto, e o Portimonense continuou o trabalho que vinha a realizar até ao intervalo, mais esticado no relvado e a obrigar o Benfica a maiores cautelas. Darwin ficou perto de acabar com o jogo, ao acertar no poste com um remate rasteiro (57′), mas eram os algarvios que mostravam maior critério e discernimento, beneficiando também da vertigem que os encarnados perderam depois do intervalo.

Paulo Sérgio, ciente da capacidade que o Portimonense estava a mostrar para empurrar o Benfica para o próprio meio-campo, voltou a mexer e tirou Boa Morte para lançar Júlio César — já depois de Jorge Jesus trocar Waldschmidt por Pedrinho, claramente descontente com a ausência de movimentação ofensiva que os encarnados estavam a demonstrar na segunda parte. Luquinhas teve a melhor oportunidade dos algarvios, ao atirar ao lado com um remate com a parte de fora do pé (71′), e o jogo foi caindo em qualidade e intensidade à medida que o relógio avançava.

A pouco mais de dez minutos do final, Jorge Jesus lançou Nuno Tavares e Cervi e ambos mexeram de imediato com a partida, com o argentino a bater um canto que motivou um cabeceamento de Otamendi ao lado (82′) e o lateral a criar uma jogada que obrigou Samuel a uma boa defesa (87′). Até ao fim, já nos descontos, um autogolo de Gilberto ainda reduziu a desvantagem de cabeça (90+2′) e provocou muitos calafrios à equipa de Jesus nos instantes finais. O resultado, porém, não voltou a mudar: o Benfica venceu o Portimonense na Luz, encerrou 2020 com uma vitória e está novamente a dois pontos do Sporting e da liderança. Apesar de uma segunda parte muito pouco conseguida — onde ficou principalmente visível a quebra de rendimento de Darwin –, os encarnados ganharam graças a um primeiro tempo positivo e ainda mais graças a um arranque muito forte. Um arranque onde Rafa, com uma assistência e um golo, foi o jogador mais influente da equipa.

Na conferência de imprensa de antevisão da partida, Jorge Jesus tinha dito que a nota artística que tem faltado ao Benfica vai aparecer “mais nuns jogos e menos noutros”. “Agora a nota artística não é importante porque não temos adeptos”, acrescentou o treinador. Mas para Rafa, o artista da bola que desenhou a regra e esquadro os dois lances de golo do Benfica, a nota artística continua a importar. Mas esta terça-feira, na Luz, só importou na primeira parte.

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