O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) fez esta segunda-feira um balanço “extremamente positivo” do primeiro de dois dias de greve em quatro empresas do setor dos resíduos do Grupo EGF, enquanto a empresa fala de uma “adesão reduzida”.

Os trabalhadores de quatro empresas (ERSUC, Resiestrela, Resinorte e Valorlis) do setor dos resíduos do Grupo EGF iniciaram esta segunda-feira uma greve de 48 horas, pela negociação de um acordo coletivo de trabalho e aumentos salariais.

Em declarações à agência Lusa, Joaquim Sousa, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL), apontou que na ERSUC e na Resinorte a adesão dos trabalhadores à greve “situou-se entre os 80 e 90%”.

Já na Resiestrela, o sindicalista explica que na recolha seletiva a adesão “foi de 100%” e, em termos gerais, cifrou-se em 75%.

Na Valoris, Joaquim Sousa disse que a adesão à greve dos trabalhadores “foi muito fraca, quase insignificante”.

Contudo, os dados facultados à Lusa pela administração do Grupo EGF diferem dos números apresentados pelo STAL.

Em comunicado, a empresa avança com uma adesão de 33% na Ersuc, 27,8% na Resinorte, 7% na Resiestrela e sem adesão na Valoris.

“Do ponto de vista global, os níveis de adesão são reduzidos, as instalações estão abertas e os serviços mínimos estão a ser assegurados”, lê-se na nota.

O grupo EGF explica ainda que “faltam os dados do turno da tarde, que ainda não são possíveis de incluir”.

Já Joaquim Sousa fez um balanço “extremamente positivo” do primeiro dia de paralisação e realçou a “grande unidade” dos trabalhadores em três das quatro empresas em greve.

O sindicalista disse ainda que surgiu uma “situação insólita” durante o primeiro dia de greve, no qual militares da GNR compareceram junto aos piquetes de greve em Celorico de Basto, Coimbra, Aveiro e Riba D’Ave.

“A EGF continua intransigente em sentar-se à mesa para negociar um acordo coletivo de trabalho. Já sobre os aumentos salariais justifica-se com os resultados negativos que algumas empresas apresentaram em 2019″, afirmou.

O sindicalista sustentou que, desde 2009, os trabalhadores não têm aumentos salariais, exceto aquele que resulta do salário mínimo nacional.

“Os trabalhadores querem continuar a luta. Vamos pedir a intervenção do Governo para obrigar a administração da EGF a sentar-se à mesa por causa do acordo coletivo de trabalho”, concluiu.

Esta paralisação de 48 horas termina na terça-feira.

Segundo dados do STAL, os cerca de 1.000 trabalhadores ao serviço da ERSUC, Resiestrela, Resinorte, e Valorlis prestam serviço a 91 de municípios dos distritos de Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Vila Real e Viseu e servem uma população de mais de 2,3 milhões de habitantes.

A EGF – Environment Global Facilities, é uma empresa do Grupo Mota-Engil/Urbaser, que atua no setor dos resíduos em Portugal e assegura o tratamento de 3,2 milhões de toneladas de resíduos por ano, produzidos por 6,3 milhões de habitantes.