No dia em que saiu do isolamento profilático, António Costa inaugurou a nova ala de cuidados intensivos do hospital Amadora-Sintra e deixou vários avisos: o processo de vacinação vai durar meses e, por isso, não dá para “baixar a guarda”; e se houve alívio das medidas no Natal, agora é preciso apertar o cinto. Daí que o Governo não vá dar tolerância de ponto à função pública na quinta-feira, 31 de janeiro, e daí que o atual estado de emergência que dura até dia 7 de janeiro vá “certamente” ser “prorrogado” por mais 15 dias. Quanto ao impacto do alívio no Natal, só se poderá avaliar a partir da segunda semana de janeiro. “Se o período de incubação é de 14 dias, é fazer as contas”.

O primeiro-ministro falava aos jornalistas ao lado da ministra da Saúde que, antes de Costa, tinha feito um balanço das obras realizadas no SNS, que abrangem 24 dos 35 hospitais com medicina intensiva do Serviço Nacional de Saúde, admitindo que a parte das infraestruturas (reforço de camas, ventiladores e obras nas instalações) é a “mais fácil”. A “mais difícil” é o reforço dos recursos humanos e a contratação de mais profissionais de saúde, processo que decorre e vai continuar a decorrer ao longo do ano 2021.

Um investimento que, segundo o primeiro-ministro, pode ser equiparado ao da bazuca europeia. “O conjunto do orçamento do SNS para o próximo ano supera já os 12 mil milhões de euros, quase tanto como a famosa bazuca europeia, e no OE 2021 estão previstos mais 1.200 milhões para a saúde”, disse António Costa.

Questionado sobre o impacto do Natal e as medidas previstas para o Ano Novo, Costa deixou ainda claro que, ao contrário do que aconteceu no dia 24 de dezembro, no dia 31 não será dada tolerância de ponto aos funcionários públicos, porque o objetivo é “contenção”.

“Agora precisamos de um período de contenção para avaliar os resultados, por isso é que será certamente prorrogado o atual estado de emergência para que na segunda semana de janeiro possamos avaliar o impacto que o Natal teve na pandemia”, disse Costa, pedindo contenção máxima nos próximos 15 dias. Ou seja, depois do dia 7 de janeiro deverão seguir-se mais 15 dias de estado de emergência, e só depois do dia 7 de janeiro, na segunda semana do mês, é que o Governo e os especialistas de saúde estarão em condições de fazer um balanço do impacto do alívio das medidas no Natal no evoluir da pandemia.

De resto, a ordem é “não baixar a guarda”. “Não podemos baixar a guarda e vamos ter de manter todas as regras de proteção que temos aplicado até agora, e temos de evitar o mais possível os contactos que não são indispensáveis”, disse António Costa, lembrando que no seu caso bastou “almoçar com uma pessoa que estava infetada” para ficar 14 dias em isolamento.

Não baixar a guarda sobretudo agora que a vacina está à porta. “Para que possamos completar o processo de vacinação não nos basta a vacina da Pfizer, nem da Moderna, precisamos das outras. É um processo que vai andando”, disse o primeiro-ministro, pedindo boa gestão da ansiedade e lembrando que o processo “vai durar meses”.

Sobre os números diários da pandemia, Costa disse ainda que é normal que esteja a haver agora uma compensação no registo dos números depois de uma quebra na altura das festas natalícias. Mas não é efeito do Natal. Esse efeito só se vai medir “na segunda semana de janeiro”.