Na zona alta do Monte, no Funchal, António e a família não têm visibilidade para assistir de casa ao fogo-de-artifício da passagem de ano e, por isso, vão ter de usar as “bolsas de segurança” criadas na cidade.

Tal como tem acontecido todos os anos, tencionam ver o espetáculo na Praça do Povo com a família, em dois dos 2.060 espaços marcados e distanciados uns dos outros, de modo a que as regras sanitárias de combate à Covid-19 possam ser cumpridas.

“Somos oito pessoas no total. Vamos dividir-nos por duas bolsas de segurança e assistir ao fogo e, depois, voltamos para casa”, disse à Lusa António Atouguia, de 62 anos.

Este ano, o Governo da Madeira apelou à população para que assista ao espetáculo de pirotecnia nas respetivas casas ou através da televisão, mas, atendendo às pessoas que não avistam o Funchal das suas habitações, foram definidas aquelas bolsas, que estão a ser montadas, podendo cada uma ter até cinco pessoas, de preferência familiares, num total de 10.300.

António Atouguia concorda com a solução definida pelo executivo regional, tendo em conta que este é “um tempo de exceção” e que é necessário “cumprir as orientações sanitárias” e “ser responsável”.

“Não queremos ser infetados. Temos de ser responsáveis connosco e com os outros e esperemos que no próximo ano já seja diferente, muito devido à nossa responsabilidade individual e coletiva”, concluiu.

Os espaços delimitados estão a ser montados na Praça CR7, na Avenida Sá Carneiro, na Marina do Funchal, na Praça do Povo, na Avenida do Mar e nos miradouros da Nazaré, Pico dos Barcelos e das Neves. As bolsas são definidas através de fitas de sinalética em forma de círculos, quadrados e cruzes e peças de alcatifa (estas na Praça do Povo, de modo a que as pessoas possam sentar-se) de dois metros quadrados, todas elas distanciadas umas das outras também por dois metros.

Apesar das limitações e das regras definidas, como o uso obrigatório de máscara, Susana Costa decidiu quebrar a tradição, com cerca de duas décadas, de ver o fogo-de-artifício com a família e amigos a partir do miradouro das Neves, na freguesia de São Gonçalo, na parte leste da cidade.

“Há 20 anos que tínhamos a tradição de ver no miradouro. Íamos cerca das 13h00 horas deixar um dos carros cá de casa para marcar o lugar e depois, à noite, descíamos a pé”, disse à agência Lusa.

Susana Costa recorda que viam “o fogo todos juntos”, num agregado familiar de sete pessoas, e depois faziam “a festa junto com os amigos”, que também se juntavam naquele lugar.

“Este ano não vamos. Teríamos de ficar separados, em marcações diferentes”, menciona, adiantando que a família decidiu “ver na estrada, mesmo perto de casa”.

Embora lamente a situação, considera que as medidas adotadas “acabam por ser necessárias devido à pandemia” de Covid-19.

“Para me proteger e aos meus, prefiro não ir”, reforça.

Francisco Vasconcelos é um dos moradores do Funchal com uma varanda que permite ver o espetáculo de casa, juntamente com os familiares, e alerta para os riscos quem tenciona deslocar-se à marginal do Funchal.

“Já reparou que são cinco pessoas em cada quadrado? Tenho a certeza de que vão estar mais e as pessoas não vão cumprir”, declarou à Lusa, perspetivando, por isso, “problemas”, até porque “não há polícias para controlar tudo”.

Por isso, argumentou, “perante a situação na região, com a nova estirpe que é muito mais contagiosa, as pessoas deviam ficar em casa e aqueles que não têm varanda podiam assistir através da televisão”.

“Penso que será só esta vez e para o ano tudo vai ser diferente”, sublinhou.

O espetáculo pirotécnico será transmitido através da RTP/Madeira, nas contas do Governo Regional nas redes sociais, no canal digital Na Minha Terra e no canal de rádio 97.8 FM, no qual poderá ser ouvido o espetáculo.

O fogo-de-artifício deste ano, a cargo da empresa Henrique Costa e Filhos, foi adjudicado por 980 mil euros e envolve 59 postos de lançamento de fogo, 57 na ilha da Madeira e dois na ilha do Porto Santo.