Com duas vitórias consecutivas, a última tremida mas a valer três pontos, o Arsenal fugiu em definitivo dos lugares mais próximos da zona de descida e colocou-se na 13.ª posição. Abaixo estão Crystal Palace, Newcastle, Burnley, Brighton, Fulham, WBA e Sheffield United. Descontemos aqui o último classificado, que o máximo que conseguiu em 16 jogos foi tirar dois empates. Como foram os outros resultados do Liverpool frente aos piores classificados da Premier League? Empate, empate, vitória por 7-0, empate. Se a goleada sofrida frente ao Aston Villa foi a surpresa da época para o conjunto de Jürgen Klopp, os pontos perdidos frente a adversários teoricamente mais acessíveis têm condicionado a temporada do líder do Campeonato. E seguia-se mais um, o Newcastle.

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“Queria mais do que tudo ganhar mas tive de aprender muito cedo na vida que nem sempre isso acontece e está tudo bem na mesma. Gosto de ganhar jogos de futebol, especialmente quando merecemos a vitória. Para dizer que merecíamos ganhar ao WBA, penso que deveríamos ter feito mais. Corremos muitos, lutámos muito, tudo bem, mas faltaram-nos algumas coisas. Não estou chateado com os jogadores, estas coisas podem acontecer. Uma derrota só é mesmo uma derrota quando não retiramos nada dela. Vamos aprender e voltaremos a jogar com isso”, comentou o treinador alemão após o empate caseiro da última jornada, o primeiro em Anfield.

Numa altura em que o departamento médico começa aos poucos a ficar mais descongestionado, com Virgil Van Dijk, Joe Gomez e Diogo Jota a serem os jogadores que geram maiores preocupações nesta entre jogadores que já voltaram aos treinos mas que continuam à procura do melhor ritmo como Thiago Alcântara. Frente ao WBA foi Matip que saiu com um problema no adutor e as preocupações com o centro defensivo voltaram a aumentar mas houve outro ponto que complicou e muito a vida dos reds: a grande densidade de unidades de Sam Allardyce nos últimos 30 metros, o que fez com o Liverpool tivesse mais dificuldades para criar oportunidades como é normal. Essa acabou por ser a grande surpresa. Esse era o grande desafio no final de uma jornada onde equipas como o Leicester ou o Chelsea voltaram a perder pontos (e Everton, Manchester City e Tottenham não jogaram).

Depois de um início onde o Newcastle mostrou uma estratégia completamente diferente do WBA na primeira parte do jogo em Anfield, mais agressiva nas transições e com os olhos na baliza contrária, uma meia distância de Milner para defesa de Karl Darlow conseguiu inverter as principais características do encontro. Não que os visitados tenham perdido a vontade de esticar jogo a um setor defensivo do Liverpool que teve esta noite Nathaniel Philips como central ao lado de Fabinho mas os reds despertaram em termos ofensivos naquilo que são as suas grandes forças, chegando a zero ao intervalo devido a duas grandes intervenções do guarda-redes dos magpies após remate de Salah isolado com um passe em profundidade de Jordan Henderson (34′) e um cabeceamento de Firmino após cruzamento de Sadio Mané numa jogada onde o desequilíbrio chegou pela lateral esquerda (45+1′).

No segundo tempo, o Newcastle conseguiu acertar ainda melhor as marcações e o Liverpool encontrou ainda mais dificuldades para criar situações de golo, algo que Klopp foi tentando inverter trocando as características dos médios em campo com as entradas de Wijnaldum e Thiago Alcântara, mas a bola teimava em não entrar nas duas balizas com Alisson a tirar o golo a Clark na sequência de um livre (80′) e Schär a limpar a bola já próximo da linha quando Sadio Mané se preparava para encostar sem Darlow na baliza (81′), antes de Firmino voltar a ver o guarda-redes contrário fazer uma grande intervenção após canto (89′). O Liverpool não conseguiu marcar num jogo da Premier League quase seis meses depois (2 de julho, 0-4 com o Manchester City no primeiro encontro como campeão) e voltou a perder pontos com uma equipa a fugir aos últimos lugares. É oficial: esta temporada parece que ninguém tem grande vontade em segurar o primeiro lugar. E a competitividade é cada vez maior.