A nova variante do coronavírus cuja difusão foi detetada inicialmente no Reino Unido não causa uma forma mais grave da doença, de acordo com os resultados preliminares do primeiro estudo feito sobre esta variante, com recurso a quase 4 mil voluntários.

Em declarações citadas pelo Financial Times, a especialista britânica Susan Hopkins, responsável pelo estudo feito pela autoridade de saúde pública de Inglaterra, disse que os resultados mostram “que a nova variante não causa uma doença mais grave uma mortalidade mais elevada”, mas assinalou que a investigação continua.

O estudo envolveu a análise de 1.769 pessoas infetadas com a nova variante do vírus, que foi detetada no Reino Unido a poucos dias do Natal e obrigou à adoção de medidas extraordinárias e ao encerramento de fronteiras, e a comparação com outras 1.769 pessoas, infetadas com a primeira versão mais comum do vírus.

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Dentro desse grupo, 42 pessoas tiveram de ser hospitalizadas — 16 com a nova variante e 26 com a versão “clássica” do vírus. Por outro lado, 22 pessoas incluídas no teste acabaram por morrer: 12 com a nova variante e dez com a versão mais comum do vírus. Do ponto de vista estatístico, os investigadores consideraram que estes valores não são significativos e não representam uma diferença na gravidade da doença nem na mortalidade do vírus.

Outro indicador analisado pelos investigadores foi a possibilidade de reinfeção, mas o estudo também concluiu que não existe uma probabilidade maior de contrair o vírus pela segunda vez com a nova variante do vírus.

O que ficou comprovado foi que a nova variante é, de facto, mais contagiosa do que a versão mais disseminada do vírus. De acordo com uma análise dos dados recolhidos da plataforma de rastreio a nível nacional, foi possível concluir que 15% das pessoas que tinham estado em contacto com alguém infetado com nova variante do vírus ficaram também infetadas; para a versão anterior do coronavírus, essa percentagem era de 10%.