O governo do Reino Unido diz que deve ser mais prioritária a administração da primeira dose da vacina ao maior número de pessoas possível do que a administração das duas doses no menor tempo possível.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira a propósito da aprovação da vacina da AstraZeneca/Oxford, o governo sublinha que a prioridade do plano de vacinação é abranger o maior número de pessoas possível com as primeiras doses que vão chegando dos fabricantes.

“A prioridade deverá ser a de dar ao maior número de pessoas dos grupos de risco a sua primeira dose, em vez de fornecer as duas doses necessárias no mais curto período possível”, lê-se no comunicado do governo, que cita o parecer técnico de um painel de especialistas em vacinação.

Reino Unido aprova vacina da AstraZeneca/Oxford e começa a administrá-la no dia 4 de janeiro

“Todos vão, na mesma, receber a segunda dose e isso será feito no máximo até 12 semanas depois da primeira. A segunda dose completa o tratamento e é importante para a proteção ao longo prazo”, continua o comunicado, que insiste: “A partir de hoje, o NHS [Serviço Nacional de Saúde na sigla inglesa] em todo o Reino Unido vai dar prioridade a vacinar com a primeira dose aqueles em grupos de maior risco”.

Até agora, a prática tem sido a de administrar a segunda dose três semanas depois da primeira — e é esse o plano em Portugal. Isso permite completar a imunização de cada pessoa num mês. A primeira dose fornece apenas cerca de metade da imunização, sendo necessária a segunda dose para atingir os cerca de 95% prometidos pela vacina.

A decisão das autoridades britânicas terá como efeito ter mais rapidamente um maior número de pessoas com alguma imunização, ainda que demore mais tempo a que toda a população tenha a imunização completa.

“Com duas vacinas agora aprovadas, teremos capacidade para vacinar um maior número de pessoas que estão em risco mais elevado, protegendo-as da doença e reduzindo a mortalidade e os internamentos”, diz o governo. “Esta abordagem irá maximizar os benefícios de ambas as vacinas.”