O candidato presidencial Vitorino Silva afirmou esta quinta-feira que o seu objetivo nesta disputa eleitoral é que exista uma segunda volta e considerou que existiu “embalanço a mais” na relação entre o Governo e o atual chefe de Estado.

Em entrevista à RTP, o candidato a Presidente da República nas eleições de janeiro, mais conhecido como Tino de Rans, manifestou-se contra a extinção do Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), não quis pronunciar-se sobre a continuidade do ministro da Administração Interna no Governo e sugeriu como solução para ‘salvar’ a TAP parar com a construção do novo aeroporto.

Vitorino Silva lamentou que, numa fase inicial, tenha sido excluído do planeamento das entrevistas e debates da comunicação social, salientando que nas presidenciais de há cinco anos “teve mais votos que a Iniciativa Liberal e o Chega juntos” e criticou que o boletim de voto vá ter um candidato, Eduardo Baptista, que não completou o processo.

Questionado sobre o seu objetivo nestas eleições, Tino de Rans respondeu: “Que haja uma segunda volta”. E acusou o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de, por vezes, ter “apalhaçado” a função, mas sem apontar qualquer exemplo concreto.

“O grande adversário do Marcelo é o próprio Marcelo, quando a notícia é boa, o Presidente fala, quando a notícia é má, não fala”, disse, afirmando ainda que o chefe de Estado foi “muito forte com os fracos e muito fraco com os fortes”.

Vitorino Silva disse que houve “embalanço a mais” na relação entre o Governo e o Presidente da República, considerando que o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, foi inteligente ao dar liberdade de voto no Partido Socialista.

Por outro lado, o Presidente, “se fosse mais duro [com o Governo], perdia grande fatia do seu eleitorado”, disse.

Questionado se admitiria vetar um Orçamento do Estado, o antigo militante do PS respondeu afirmativamente, caso “visse que o dinheiro ia para os grandes e não chegasse ao povo”.

“Também falta fiscalização, há gente que tem apoio e não merece”, afirmou.

Sobre a ‘bazuca’ europeia, os fundos europeus previstos para responder à crise provocda pela pandemia, Tino de Rans disse não acreditar “que esses milhões venham de borla” e não gostar de ver Portugal “a pedir esmola”.

Questionado qual a marca que gostaria de deixar no país se for eleito Presidente, respondeu: “Sentir que tinha deixado o povo mimoso”.

O Tribunal Constitucional (TC) admitiu na quarta-feira sete candidaturas às eleições para a Presidência da República, que se disputam em 24 de janeiro.

Para além de Vitorino Silva, são candidatos Marisa Matias, Marcelo Rebelo de Sousa, Tiago Mayan, André Ventura, João Ferreira e Ana Gomes.

Vitorino Francisco da Rocha e Silva (conhecido como Tino de Rans), 49 anos, é calceteiro e foi presidente da Junta de Freguesia de Rans (Penafiel) entre 1994 e 2002, eleito pelas listas do PS, do qual se desfiliou.

Há cinco anos, foi candidato a Presidente da República, tendo conseguido 3,28% dos votos, e em 2019 fundou o partido RIR (Reagir, Incluir, Reciclar), tendo anunciado a segunda candidatura a Belém em 13 de setembro, no Porto.